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Cientistas vão promover mutações de gripe aviária para avaliar risco

7 ago 2013
18h25

Cientistas vão desenvolver formas mutantes altamente transmissíveis e letais do vírus da gripe aviária H7N9, surgido na China, para poder avaliar o risco de que cause uma pandemia letal entre humanos.

A modificação genética para criar formas do vírus será feita em vários laboratórios de segurança máxima no mundo todo e é algo vital para prevenir a humanidade contra a ameaça, segundo os cientistas.

O H7N9, desconhecido em humanos até fevereiro, já contaminou 133 pessoas na China e em Taiwan, matando 43 delas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao anunciar os planos para o polêmico experimento, os influentes virologistas Ron Fouchier e Yoshihiro Kawaoka disseram que o risco de uma pandemia pelo H7N9 crescerá "exponencialmente" se ele adquirir a capacidade de se espalhar facilmente entre pessoas.

E a única forma de saber a probabilidade disso, e quantas alterações genéticas seriam necessárias, é manipular essas mutações em condições laboratoriais e realizar testes em animais, disseram eles.

"Está claro que o vírus H7N9 tem algumas características dos vírus pandêmicos, e também está claro que ele continua sem uma ou duas das características que vimos em vírus pandêmicos no último século", disse Fouchier à Reuters por telefone. "Então, o passo mais lógico é colocar essas mutações primeiro."

Em artigo nas revistas Nature e Science em nome dos 22 cientistas envolvidos no trabalho, Fouchier disse que, uma vez que existe na natureza o risco de pandemia de gripe por um vírus de origem aviária, é crucial estudar as mutações necessárias para isso, como forma de preparar planos de mitigação do risco.

Esse tipo de ciência é conhecida como pesquisa de "ganho de função".

Ao descobrir as mutações necessárias, os pesquisadores e as autoridades sanitárias podem avaliar melhor a chance de que um novo vírus se torne perigoso, e, nesse caso, quando seria possível começar a desenvolver drogas, vacinas e outras defesas científicas.

Mas esse tipo de atividade já causou polêmica internacional nos últimos dois anos, ao ser realizada com outro vírus ameaçador de gripe aviária, o H5N1.

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