Saúde

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11 de dezembro de 2009 • 12h06

Displasia mamaria pode ser confundida com câncer de mama

 

Fazer o autoexame das mamas e perceber que tem um nódulo na região não é motivo para pânico. OK, a preocupação até se justifica, porque o câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil e é o segundo mais freqüente no mundo.

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Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), espera-se 49.400 novos casos para 2010. A boa notícia, porém, é que cerca de 80% das mulheres brasileiras têm ou terão cistos, sensibilidade excessiva, dores e/ou inchaços nos seios, sem que tais sintomas estejam relacionados ao câncer, mas sim à popularmente chamada displasia mamária.

"Trata-se de uma alteração funcional benigna, causada por uma mudança hormonal, mais especificamente por uma mudança no metabolismo dos estrógenos, que afeta o tecido mamário", afirmou a ginecologista Rosa Maria Neme, doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP).

A principal diferença entre os tumores malignos e a displasia, segundo a especialista, é justamente a presença de dor, que em geral não ocorre nos casos de câncer.

Essas alterações benignas, na maior parte das vezes, não exigem tratamento, já que não oferecem nenhum risco à saúde. Medidas paliativas podem ser adotadas para ajudar a minimizar os sintomas desconfortáveis. "Podemos usar vitaminas (principalmente a E), medicações diuréticas e, ainda, indicar o aumento no consumo de alimentos que ajudam a combater a retenção de líquidos, tais como gérmen de trigo, soja, óleos vegetais, nozes, alface, rúcula, espinafre, cereais integrais e ovos. Também sugerimos um aporte extra de alimentos ricos em magnésio, como figo, amêndoas, banana, sementes, cereais integrais e frutos do mar", disse a ginecologista.

Além de acertar a dieta, praticar exercícios regularmente e aplicar compressas quentes sobre as mamas podem ser boas maneiras de garantir o bem-estar na presença do problema.

Vida normal
A alteração funcional benigna não atrapalha em nada a amamentação, caso essa seja uma opção da mãe. Da mesma forma, mulheres com esse problema podem fazer uso de anticoncepcionais. "Recomendamos a adoção de um anticoncepcional com progesterona que tenha efeito diurético - como a drospirenona -, apenas para ajudar a reduzir a dor e o desconforto", afirmou a Rosa Maria.

O quadro também não tem qualquer relação com o câncer de mama. Mulheres que apresentam displasia mamária não estarão, por isso, mais ou menos predispostas a desenvolver tumores malignos.

Visita ao médico é imprescindível
Apesar do bom prognóstico, vale frisar que, ao notar qualquer alteração nas mamas, é fundamental buscar o acompanhamento de um profissional. Aliás, mesmo sem perceber nenhuma anormalidade no autoexame, a visita ao ginecologista deve ser feita pelo menos uma vez por ano.

Isso porque somente um exame clínico poderá indicar, com certeza, se se trata de uma alteração benigna ou maligna. Em alguns casos, o médico solicitará também exames diagnósticos complementares ou até mesmo uma biópsia, que é a retirada de uma amostra de tecido para verificação em laboratório.

Veja como fazer o autoexame das mamas

1) Em pé, em frente ao espelho, observe o bico dos seios, a superfície e o contorno das mamas.

2) Ainda nesta posição, levante os braços na lateral e perceba se com o movimento aparecem alterações no contorno ou na superfície das mamas.

3) Deitada com a barriga para cima e as costas apoiadas no colchão, eleve o braço esquerdo, posicionando-o paralelamente à cabeça. Use a mão direita para apalpar o seio esquerdo. Faça movimentos circulares suaves, apertando-o levemente com as pontas dos dedos.
Em seguida, eleve o braço direito e use a mão esquerda para tocar a mama direita, repetindo os mesmos movimentos.

4) Ao notar qualquer anormalidade, consulte imediatamente seu médico, só ele poderá fazer o diagnóstico apropriado.

Confira os 4 principais exames para detectar o câncer de mama

Autoexame:
Deve ser realizado todos os meses, pela própria mulher e logo após a menstruação. Permite identificar nódulos a partir de 2cm ou 3 cm de diâmetro.

Exame clínico:
Realizado por um médico ou enfermeiro treinado, a orientação dos especialistas é de que seja feito pelo menos uma vez por ano, mesmo que a mulher não apresente qualquer sintoma desagradável.

Mamografia:
Deve ser feito de acordo com a prescrição médica, em geral anualmente ou a cada dois anos, a partir dos 40 anos (alguns órgãos de saúde mundiais discutem a indicação apenas após os 50 anos, mas ainda não há consenso). O teste é o método mais eficiente para detectar nódulos não palpáveis.

Ultrassonografia das mamas:
Pode ser adotado como um exame de rotina, anual, ou ser prescrito em condições especiais, para auxiliar no diagnóstico de uma lesão. As imagens oferecem dados a respeito da malignidade ou benignidade das alterações encontradas.

Redação Terra