
Há décadas a relação entre a exposição à radiação e o risco de tumor cerebral é estudada. Um último estudo publicado na publicação online Câncer, da Associação Americana desta enfermidade, concluiu que as pessoas que foram expostas a radiografias no passado, quando não eram tão controladas como agora, têm maior risco de desenvolver meningioma, câncer cerebral primário que afeta as meninges e que, na maioria dos casos, é benigno, embora possa migrar para o maligno. As informações são do jornal espanhol El País.
Os profissionais envolvidos na pesquisa apontam que, ainda que as radiografias, incluindo as dentárias, sejam muitas vezes necessárias, o seu uso deve ser moderado para evitar prejudicar os pacientes.
Os resultados mostram que as pessoas estudadas que padeciam da doença haviam sido expostas a estas provas por pelo menos duas vezes mais ao longo da vida do que os que estavam sãos. Além disso, os pesquisadores identificaram que as pessoas que fizeram radiografia deste tipo antes dos dez anos apresentavam um risco cinco vezes maior de sofrer da doença.
O meningioma é o câncer cerebral mais comum nos Estados Unidos. Representa 38,8% de todos os tumores diagnosticados e afeta principalmente as habilidades neurológicas dos pacientes, diminuindo significativamente a qualidade de vida. A radiação é o fator de risco mais importante neste tipo de câncer, embora anteriormente os estudos se referiam a exposições a bombas atômicas e tratamentos oncológicos.
A doutora Elizabeth B.Claus e sua equipe, da Universidade de Medicina de Yale, analisaram os históricos de 1.433 pacientes que sofriam deste tipo de tumor, com idades entre 20 e 70 anos, que viviam em Connecticut, Massachusetts, Carolina do Norte, San Francisco e Houston. O grupo formado por pessoas sem a doença era composto por 1.350 pessoas.
Apesar dos resultados, os autores pedem calma aos pacientes que vão com regularidade ao dentista. "Apesar do risco indicado no estudo, as pessoas não devem ter medo. O estudo se refere a exposições passadas e não as atuais, que envolvem menos risco", aponta o relatório.

