Gestação

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Saiba quais as chances de ter uma gestação de múltiplos

Saiba quais as chances de ter uma gestação de múltiplos
Foto: Getty Images
 
Danielle Sanches

O caso da falsa grávida de Taubaté chamou a atenção das mulheres para a gestação de múltiplos - aquela em que a mãe carrega no ventre mais de um bebê. A gravidez de gêmeos têm se tornado mais comum no país graças aos métodos de reprodução assistida, que aumentam a possibilidade de fertilização e desenvolvimento de mais de um óvulo ao mesmo tempo.

Sem a interferência humana, no entanto, a ocorrência de múltiplos seria menor. De acordo com Edílson da Costa Ogeda, ginecologista e obstetra consultor da clínica Cordcell, de forma espontânea, de cada 100 gestações, uma será de gêmeos (independente do número de bebês). "O mais comum são dois bebês", afirma o médico. "Trigêmeos, quadrigêmeos e quíntuplos são extremamente raros na natureza", diz o especialista, que também é diretor da Maternidade do Hospital Samaritano, em São Paulo.

Dentro do universo dos gêmeos, existem ainda situações mais raras. O mais comum é encontrarmos irmãos bivitelinos, quando são fecundados dois óvulos e ambos se transformam em dois bebês."As semelhanças são as mesmas encontradas em irmãos comuns", explica o Edílson da Costa Ogeda. Os gêmeos univitelinos são aqueles em que um óvulo apenas se divide em dois, gerando irmãos idênticos. "Estes são do mesmo sexo e são idênticos do ponto de vista genético", afirma o médico.

Embora seja considerado um golpe de sorte, a gravidez de mais de um bebê é considerada preocupante. "O corpo da mulher foi feito para ter um bebê, no máximo dois de uma só vez", afirma o médico. "Acima disso, pode gerar problemas graves de saúde para a mãe e o bebê", alerta o especialista.

Entre os problemas mais comuns estão a diabetes gestacional e a hipertensão arterial, uma indicação que o corpo da mãe está sobrecarregado com os múltiplos. "O ganho de peso também é enorme e, além dos problemas estéticos, isso pode também causar problemas cardíacos na mãe", diz Emerson Cordts, responsável pelo setor de reprodução assistida do Hospital e Maternidade São Luiz. Para os bebês, a prematuridade é sempre um fantasma, já que dificilmente eles ficarão no ventre até o final da gestação. "Eles nascem pequenos, ficam muito tempo internados e podem ter sequelas neurológicas, motoras e intelectuais", diz.

Com a reprodução assistida, muitos casais estão conseguindo realizar o sonho de serem pais. No entanto, a falta de diretrizes claras fez com que o número de embriões implantados na mulher fosse virtualmente ilimitado. "Quanto mais embriões são colocados, maiores as chances de conseguir um que vingue", diz Emerson Cordts. "No entanto, colocar acima de quatro é irresponsável, pois há chances de resultar em uma gravidez de múltiplos, considerada de risco principalmente nas mulheres acima de 35 anos e que procuram muito esse tipo de tratamento", alerta o especialista.

Por causa disso, o Brasil já foi um dos campeões em gestação de gêmeos. Desde 2011, no entanto, o Conselho Federal de Medicina passou a inibir essa prática. "A decisão é sempre do casal, claro", diz o médico. "Mas o correto é nunca transferir mais de quatro óvulos fecundados para o útero da mulher", explica.

Outro procedimento muito utilizado é a indução da ovulação na mulher. Na prática, ela deve tomar um medicamento que aumenta o número de óvulos produzido, aumentando assim as chances de engravidar de forma natural. No entanto, se o processo não for controlado, há, sim, o risco de induzir a uma gravidez múltipla. "As pessoas acreditam que o nascimento de gêmeos ou múltiplos é uma alegria, mas os riscos para a saúde da mãe e dos bebês, além dos cuidados de alto custo que eles vão inspirar depois do nascimento, são fatores que devem ser levados em conta também", afirma o médico.

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