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Entenda melhor as fobias e saiba como tratá-las |
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André Bernardo |
| Terra |
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| Um quarto da população mundial apresenta transtornos de ansiedade |
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A sensação não é das mais agradáveis. Tudo começa com o ressecamento da garganta. Em seguida, o coração dispara, a respiração fica ofegante e as pernas, trêmulas. Por fim, o indivíduo transpira como se o perigo fosse real e imediato. O motivo de tanto desassossego pode ser alguns segundos no escuro, uma rápida entrada num lugar fechado ou a proximidade de pequenos insetos.
» Existem mais de mil tipos de medo catalogados
Segundo a Associação de Psiquiatria Americana, 25% da população mundial sofre de algum tipo de transtorno de ansiedade. Desses, o mais freqüente é a fobia simples ou específica, como medo de inseto, de elevador e até de leite e seus derivados.
"Já tive paciente que sentia náusea e arrepios só de pensar em derivados de leite, como manteiga ou requeijão. O curioso é que ele foi criado em fazenda. Ou seja, as fobias não têm explicação. Podem até ser justificadas por traumas, mas a grande maioria não tem lógica", esclarece a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora de Mentes com Medo, da Compreensão à Superação.
Desespero - O técnico de refrigeração Rudney Lourenço Carriço, 39 anos, é um dos muitos que não sabem precisar a origem de sua fobia. Diz apenas que, desde criança, não gosta de entrar em lugares se não sabe como sair deles. Numa das poucas vezes que se aventurou a andar de elevador, teve a infelicidade de ficar preso por 40 minutos devido à queda de energia.
"No dia, entrei totalmente em pânico. Muitos no prédio acharam que estivesse bêbado. Fiquei tão envergonhado que mudei de endereço. Não suportava a idéia de ficar preso naquele elevador novamente", confessa.
A farmacêutica Elizabeth, 42 anos, sabe muito bem do que Rudney está falando. Toda vez que ela tinha de viajar de avião a trabalho passava pelo constrangimento de tomar calmantes, perturbar as comissárias de bordo e visitar a cabine dos pilotos. A última viagem, porém, foi uma de 12 horas, para Miami. Depois de entrar em depressão, pediu dispensa da empresa em que trabalhava.
"No começo, relutei a pedir ajuda porque não queria admitir que estava doente. Mas a minha fobia chegou a um ponto tão insustentável que meu sonho profissional começou a ruir. O pior é que ninguém entende um problema desses. Pensam que é frescura", afirma Elizabeth.
Saída é encarar o problema - Especialistas avisam que já existe tratamento para quem sofre de fobia. É a auto-exposição ao estímulo fóbico, que consiste no enfrentamento gradual dos estímulos que provocam medo no indivíduo. O processo inclui desde técnicas de relaxamento até exibição de filmes que remetam àquela fobia.
"O medo é um sentimento natural. É bom e necessário que sintamos medo. O problema começa quando o medo torna-se incapacitante e interfere no social. Nesses casos, o ideal é fazer com que a pessoa aprenda a lidar com seus medos de forma racional", esclarece a psiquiatra Vera Lemgruber.
Foi exatamente isso o que fez Cristina, 35 anos. Executiva, foi vítima de seqüestro-relâmpago em 2003, quando teve seu Peugeot abordado na Rio-Petrópolis às 19h. Cristina teve o relógio, dinheiro e cartões roubados e, pior, ficou em poder dos seqüestradores por quase 15 horas. No dia seguinte, às 10h, aproveitou um instante de distração para fugir. Apesar de tudo, prometeu que não ficaria refém desse medo para sempre.
"A minha vida virou de ponta-cabeça. Até voltar a dirigir, levei dois ou três anos. Cheguei a entrar em depressão. Até terapia fiz para superar o trauma. Achei que fosse morrer porque eles não estavam encapuzados. Hoje, já me sinto mais forte. Mas nunca teria saído dessa sozinha. É preciso procurar ajuda", recomenda.
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O Dia
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