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A idéia de que o sexo patológico é uma dependência permite uma analogia com outros "vícios". A eficácia do uso de antidepressivos no tratamento de usuários de drogas já foi comprovada em várias pesquisas científicas. Ao considerar a dependência sexual como tendo as mesmas características de outras dependências, Vieira se propôs a estudar a eficácia dos antidepressivos na "voracidade" dos pacientes, como tema de sua dissertação de mestrado.
Para tanto, o grupo de pacientes do ambulatório foi dividido em dois: metade passou a receber fluoxetina, a substância ativa do Prozac, e à outra metade foi dado placebo - cápsulas com farinha. Como de praxe, Vieira e os pacientes não sabiam quem integrava cada grupo, para não serem influenciados - prática científica conhecida como duplo cego.
O primeiro resultado observado foi a desistência: depois de três meses de pesquisa, um terço do grupo havia deixado de freqüentar as reuniões. Seis meses depois de iniciado o estudo, dois terços do grupo original havia desistido. A perda foi proporcional entre a metade medicada e a não-medicada. O alto índice de desistência levanta a possibilidade de que as pessoas não querem se submeter ao tratamento. "Nas dependências em geral, logo no início perde-se 50% dos pacientes, apenas cerca de 30% passam pelo tratamento completo", diz Vieira. Tratar as conseqüências é diferente de tratar o comportamento, explica. As pessoas querem se livrar dos "efeitos colaterais", mas não querem mudar a sua forma de agir.
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