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Alexandra Ozório/Revista Saúde Paulista (Unifesp)
 
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Antes de começar a distribuição de medicamentos, os integrantes do grupo responderam a um questionário, que revelou dados surpreendentes. A amostra é de 24 pacientes, dos quais apenas um era mulher, o que está de acordo com dados internacionais, que mostram que cerca de 95% das pessoas que buscam tratamento para o sexo patológico são homens. Vieira, entretanto, faz uma ressalva: "Esse problema provavelmente acontece mais com homens, mas a nossa cultura também faz com que as mulheres sejam mais refratárias na hora de procurar ajuda."

A idade média dos pacientes é de 34 anos. "Essa é a idade em que as pessoas procuram o tratamento, elas podem já ter o problema há algum tempo", afirma Vieira. Segundo o psiquiatra, elas procuram tratar-se nessa fase da vida porque é quando os prejuízos começam a ficar mais evidentes. Por volta dos 30 anos, a vida começa a ficar mais estável, as pessoas casam, estão engrenadas no emprego e esse comportamento tende a ser prejudicial.

No caso de Angela, foram vários os sinais de alerta. "Um cara com quem saí conseguiu o telefone da minha casa e ficou ligando, outra vez estourou a camisinha. Em um caso, senti que não era dona da minha escolha, que não selecionaria aquele homem para ir para a cama. Fui mesmo assim, o que me deu uma ressaca moral enorme. Já não podia passar muito tempo sem escapadas e isso me deixava incomodada", lembra.

A escolaridade do grupo é muito alta: 37% tem terceiro grau completo, 30% tem segundo grau completo e 15% tem terceiro grau incompleto. "Jogadores compulsivos têm um perfil quase tão instruído quanto eles, que é muito distante da dependência química", aponta o psiquiatra. Os dependentes químicos (álcool, drogas) teriam um perfil bastante semelhante, por sua vez distante dos não-químicos (jogo, sexo, internet). Em 54% dos pacientes analisados foram apontados sintomas de transtornos psiquiátricos, como depressão ou ansiedade. Cerca de 58% apresentaram sintomas de parafilias como exibicionismo (20%), voyeurismo (16%), masoquismo (8%) e pedofilia (4%). Homossexuais e bissexuais foram incluídos nessa estatística.

Outros dados mostram que 41% dos perfilados têm parceiro fixo e que a média de parceiros sexuais de cada paciente é de 161 pessoas. Os pacientes apontaram como principal área de prejuízo a profissional (60%), a pessoal (45%) e a familiar (16%). Os dados que mais chamam a atenção - justamente por não serem tão aberrantes - apontam que, em média, cada paciente tem um parceiro por semana (que pode ser o mesmo), pensa em sexo 5 vezes por dia, tem 2,4 relações sexuais por semana, masturba-se 9,3 vezes por semana e tem uma média de 11,7 orgasmos por semana.

Vieira confirma que a variação dos dados é grande. Da mesma forma que há pessoas que ficam felizes fazendo sexo uma vez por mês, outras querem fazê-lo dez ou mais vezes por dia. No dia da aplicação do questionário, eles estavam, em média, de 4 dias sem sexo e 2,3 dias sem se masturbar.

O alerta do profissional liberal Henrique foi quando ele notou sintomas de paranóia. "Só saía de casa de óculos escuros e boné, com medo de ser reconhecido. Não conseguia mais relaxar", conta. A "droga" de Henrique é a mistura "sexo + perigo". Homossexual, tinha como hábito sair à busca de adrenalina à noite, voltando de festas ou bares. "Via pessoas estranhas na rua e abordava", relata. "Tinha uma atração meio mórbida, procurava lugares esquisitos, como cemitérios, ou perigosos, onde ninguém queria ir." Essa busca pelo perigo o expôs a situações de risco, como ter uma arma apontada à cabeça, sofrer violência sexual e saber que havia sido filmado fazendo sexo. "Ficou difícil administrar essa dependência, culpa, a associação entre o perigo e a adrenalina que dá. Vi que precisava de ajuda."
 

Redação Terra
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