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Vida Sexual
Tratamento com remédio e terapia
 
Alexandra Ozório/Revista Saúde Paulista (Unifesp)
 
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Em relação ao medicamento, os resultados preliminares da pesquisa apontaram que, de uma forma geral, as pessoas que tomaram fluoxetina melhoraram um pouco mais do que as outras. A droga de fato fez diferença, mesmo que não de forma impactante. Entretanto, não apresentou um resultado mais significativo nas pessoas com sintomas de depressão. Entre os parafílicos - aqueles de comportamento sexual "anormal" -, houve uma diminuição quantitativa, mas não qualitativa, isto é, eles não adotaram um perfil sexual mais "normal". "Nesse sentido, talvez seja possível considerar que a parafilia não é um transtorno ou uma doença, assim como a homossexualidade", cogita Vieira.

Para os pacientes, o mais importante parece ser a terapia. "Só de começar a falar sobre isso foi um alívio, era um segredo mantido a sete chaves até para eu mesmo", afirma Henrique. "Percebi que existem muitas questões envolvidas, que eu canalizava minhas dificuldades no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos para o sexo", diz João. "Agora sei que posso ter mais prazer tomando uma cerveja com os amigos do que na cama. Descobri uma versatilidade de prazeres que não conseguia enxergar. E as pessoas precisam saber que esse problema existe, que não é pecado ou sacanagem."

Outro ponto ressaltado é que os pacientes com parceiro fixo melhoraram um pouco mais que os outros. Os resultados não são definitivos, apenas indicam tendências ou idéias que precisam ser exploradas mais a fundo, avisa o coordenador do estudo. A advogada Angela contou ao marido sobre sua "vida dupla". "Ele também precisou de apoio para passar por tudo isso, ambos fazemos terapia hoje. O apoio dele me deu mais confiança e fortaleceu a nossa relação", explica.

Segundo o psiquiatra, o estudo aponta que é preciso propor tratamentos que não levem à supressão desse comportamento patológico, mas que fortaleçam o paciente, de forma que ele possa ser independente e fazer suas próprias escolhas. "Esse comportamento não pode ser visto como algo "a mais" na pessoa: ela é aquilo, se você tirar isso dela, vai ficar faltando um pedaço", declara Vieira. "A sexualidade precisa ser uma parte integrante da vida, não algo isolado do resto", resume Angela.
 

Redação Terra
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