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Relatos de comportamento sexual incomum existem desde a Antigüidade. Na mitologia grega há casos de adultério, incesto e promiscuidade. Na Roma Antiga, rituais orgiásticos faziam parte do calendário religioso. Com o decorrer dos séculos, a percepção do sexo, "desviante" ou não, era determinada pela moral. Foi apenas no século 19 que desvios sexuais tornaram-se tema da medicina, deixando de ser uma "imoralidade" e passando a ser uma "doença".
O pioneiro na compilação e classificação "científica" dos comportamentos sexuais anormais foi o psiquiatra e neurologista alemão/austríaco Richard von Krafft-Ebing (1840-1902). Sua principal obra, Psychopathia Sexualis (editada no Brasil pela Martins Fontes), lançada em 1886, traz 237 relatos de atos sexuais "aberrantes". Esses foram classificados pela primeira vez em categorias como necrofilia, bestialismo, sadomasoquismo, exibicionismo e fetichismo, entre outros.
O homossexualismo era uma das "aberrações sexuais" que mais preocupavam o médico, que apontava como causa principal a degeneração hereditária, ou também masturbação e promiscuidade. Por mais moralista ou ultrapassada que pareça, sua classificação foi uma tentativa de ordenar o insipiente campo da psiquiatria. O trabalho de Krafft-Ebing foi retomado pelo austríaco que revolucionaria a compreensão da sexualidade.
Sigmund Freud citou-o várias vezes em seu famoso livro Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, de 1905 (editado no Brasil pela Imago). Freud considerava esse livro um dos pilares da psicanálise, pois continha suas idéias sobre sexualidade infantil, sobre o bissexualismo inerente aos humanos, sobre o complexo de Édipo e sobre o nosso assunto: a diferença tênue entre práticas sexuais normais e anormais. Para o pai da psicanálise, desejos sexuais travam conflitos entre si, com as convenções sociais e principalmente com a realidade. Em sua teoria, esses desejos são fundamentais, mesmo nunca sendo totalmente satisfeitos.
O homem deseja o que não tem ou o que perdeu, e esses desejos não satisfeitos podem expressar-se de formas surpreendentes ou até perturbadoras. Dessa forma, os distúrbios sexuais ganham o campo da psicologia nas décadas de 1930 e 1940 e começam a despertar a atenção da psiquiatria, que se organiza melhor como disciplina em meados do século, acompanhando o avanço da farmacologia.
Surgem as psicocirurgias (lobotomia), os tratamentos com hormônios e medicações específicas para problemas mentais, como o lítio. Mas é apenas nos anos 70 que o estudo dos distúrbios sexuais passa a ser de fato um tema da psiquiatria.
Começa a tentativa de criar medicamentos mais específicos, que eliminem o desejo sexual excedente, sem tantos efeitos colaterais. Nos anos 80, antidepressivos começam a ser aplicados nesses casos, com alguns resultados. Mesmo assim, a psicoterapia continua sendo a base dos tratamentos da compulsão sexual e de outros distúrbios semelhantes.
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