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Domingo, 27 de maio de 2007, 18h19 
Tique nervoso atinge 10% das crianças, diz estudo
 
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Piscar, torcer o nariz e pigarrear. Até 10% das crianças em idade escolar têm transtornos de tiques, segundo estudo da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência. Mas os pais não precisam se alarmar: freqüentemente associados ao estresse, os tiques costumam desaparecer com o tempo, sem a necessidade de tratamento.

"Os tiques são movimentos ou vocalizações que ocorrem subitamente, de forma involuntária, ou seja, a criança não tem controle. Eles geralmente são desencadeados em momentos de estresse, como em épocas de provas. Por isso, é desaconselhável que os pais recriminem. Isso vai aumentar o estresse e, conseqüentemente, os tiques", diz Gustavo Teixeira, autor do livro Transtornos comportamentais da infância e adolescência.

Segundo o psiquiatra infantil, os transtornos de tiques têm vulnerabilidades genéticas. "Ainda não se sabe a causa, mas se sabe que em 60% dos casos há uma predisposição genética".

O especialista explica que os tiques costumam desaparecer em dois ou três meses. "No início, a criança pode não notar o tique. Mas depois, com a recriminação por parte dos familiares, professores e amigos, poderão aparecer sérios prejuízos para sua auto-estima. Os pais devem ficar atentos e buscar ajuda quando perceberem que é preciso", afirma o médico.

O estudante Leonardo Almeida, 19 anos, teve o problema na adolescência e precisou buscar ajuda médica. "Quando ficava nervoso, eu piscava o olho sem parar. O pior é que eu não conseguia controlar. Todo mundo implicava comigo, isso me deixava mais nervoso e me fazia piscar ainda mais", lembra.

Síndrome de Tourettte
O psiquiatra infantil alerta que o mais grave dos transtornos de tique, chamado de síndrome de Tourette, pode causar dificuldades de relacionamento , aprendizagem e até depressão.

"Na síndrome de Tourette, o paciente tem tiques motores e pelo menos um tique vocal em alguma fase do transtorno. Muitas vezes, eles são vítimas de humilhações e se isolam. Eles também podem ter problemas de atenção, concentração ou desenvolver obsessões e compulsões", explica.

Diferente dos demais transtornos de tique, a incidência da síndrome de Tourette é de um caso para cada cinco mil crianças. Os meninos são três vezes mais acometidos pelo problema do que as meninas.

"O trabalho de informação a respeito do transtorno pode ser um primeiro passo no tratamento. Informar a criança, seus familiares e professores pode ajudar a desmitificar e diminuir o preconceito", diz Teixeira.

O tratamento contra a síndrome pode incluir terapia cognitiva-comportamental e medicações contra ansiedade. "Atividades esportivas também podem ajudar, já que reduzem o estresse e a ansiedade", diz o médico.

Saiba mais sobre o problema
Tiques motores - Normalmente são representados por contrações repetitivas e rápidas de grupamentos musculares como piscar os olhos, encolher os ombros, espasmos de pescoço e "fazer careta". Formas mais graves de transtornos de tiques incluem a presença de tiques motores complexos, quando um número maior de grupamentos musculares está envolvido.

Nesses casos, atos de cheirar objetos, saltar, tocar ou até fazer gestos obscenos podem ocorrer, por exemplo.

Tiques vocais - são vocalizações rápidas, repetitivas, involuntárias e recorrentes. São exemplificadas por atos de tossir, pigarrear, roncar e fungar, estalar lábios, emitir sons de sucção, soluçar e suspirar. Os tiques vocais também podem ser complexos, com vocalizações mais elaboradas. E podem incluir a repetição de palavras, frases ou até o disparo de palavras obscenas fora de contexto.
 
O Dia

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