Fiquei segura ao falar com o mastologista, mas sabia que seriam momentos difíceis pra mim e que, pela primeira vez, seria cuidada ao invés de cuidar. Passei a pesquisar o assunto pela internet e pedi ao meu marido que fizesse um site para mim, onde eu daria apoio e não apenas informações científicas sobre o câncer.
Enquanto isso, perdi a mama direita e a mutilação foi muito extensa - trouxe problemas na coluna e me obrigou a usar blusas bem altas para esconder a cicatriz. Precisei de quimioterapia e sofri todas as suas conseqüências. O sofrimento foi amenizado pela vontade que eu tinha de ajudar mulheres na mesma situação - era uma obrigação pra mim.
As pessoas começaram a acessar o site e tive a idéia de aumentar o trabalho criando um instituto que ajuda pacientes e família com apoio psicológico, banco de perucas, assessoria de beleza, cursos de inglês e português, enfim, um trabalho grande e pioneiro. Hoje temos 260 mulheres cadastradas e isso tudo fez com que a minha recuperação fosse mais rápida.
Ainda não fiz a reconstituição mamária, mas não me sinto mais ansiosa com isso. Minha primeira reação foi não querer perder a mama e a segunda, sobreviver. Agora estou com a auto-estima resgatada e sinto que tive muito apoio da família. Aprendi a cuidar mais de mim."
Gilze Maria Costa Francisco tem 42 anos e é fundadora do Instituo Neo Mama.
- Terra




