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Sexta, 14 de setembro de 2007, 18h01 
Saiba mais sobre a origem da síndrome do pânico
 
Carla Andrade e Débora Motta
 
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As tensões provocadas por problemas contemporâneos como a competitividade do mercado de trabalho e a violência urbana motivam o surgimento da síndrome do pânico, transtorno psíquico que já atinge cinco em cada cem pessoas no mundo.

"As pressões sociais vêm de fatores como o tipo de estrutura familiar, o campo profissional e a situação econômica. Estamos vivendo numa época em que somos ameaçados todo o tempo, na rua e em casa. Esse estresse aumenta muito com tantas obrigações diárias e qualquer situação mais intensa de tensão pode ser o estopim para o começo de uma crise de pânico", ressalta Fatima Vasconcellos, chefe de clinicas do serviço de psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

A crise de pânico é uma experiência de ansiedade levada ao extremo. O corpo reage como se estivesse frente a um perigo, porém não há nada em volta que justifique esta reação.

"Durante uma crise, a pessoa tem sintomas como taquicardia, perda do foco visual, dificuldade de respirar, formigamento, tontura, dor ou desconforto no peito, boca seca, tremores, náuseas, desconforto abdominal, sudorese, calafrios, ondas de calor, despersonalização e sensação de iminência da morte. A intensidade dos sintomas cresce de modo acelerado e os ataques podem acontecer a qualquer hora", constata o psicólogo Artur Scapato, mestre em psicologia clínica (PUC-SP) e coordenador do site www.psicoterapia.psc.br.

A origem da síndrome do pânico está ligada a experiências traumáticas.

"As crises começam geralmente nos processos de ativação de memórias implícitas de traumas. Apesar de o corpo reagir como se estivesse em perigo, este perigo não é visível e não está presente no ambiente. Vem do passado e não está acessível à consciência. A partir de uma situação disparadora posterior, geralmente em situações de estresse intenso, este circuito pode ser reativado passando a produzir as crises de ansiedade e pânico", diz Scapato.

A síndrome do pânico tem o dobro de incidência entre as mulheres, em relação aos homens. Elas estão mais suscetíveis às pressões devido à rotina de tripla jornada.

"Por volta dos 30 anos, as mulheres têm mais tendência que os homens de desenvolver a síndrome do pânico porque é justamente na época em que estão no auge da carreira profissional e precisam conciliar o trabalho fora de casa com o do lar, além das funções de esposa e mãe. Essa faixa etária apresenta maior incidência desse transtorno, que também pode começar na infância ou na velhice", analisa Fátima.
 
JB Online
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