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Certamente você já ouviu falar em frigidez e associou a uma mulher que não consegue ter orgasmo. Mas, saiba que a palavra caiu em desuso e os especialistas jamais a utilizam.

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Uma das razões que levaram a abolir a utilização do termo é por ser algo muito genérico. "Frigidez é um conceito leigo usado para designar alguns distúrbios sexuais como a diminuição da libido e a falta de orgasmo, além de fazer referência a alguém que não tenha uma sexualidade muito expressiva", explica a ginecologista Thaís Helena Rocha, do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos.

A especialista acredita não existirem pessoas sem capacidade de ter orgasmo. "A falta de libido ou a ausência de orgasmo é algo momentâneo. A causa para isso é a circunstância da vida e as experiências que a pessoa já teve", afirma Thaís.

De acordo com a psicóloga e sexóloga Rosemary Villela, do Projeto Ambsex, atualmente utiliza-se o conceito transtorno de desejo hipoativo. "É exatamente a mesma coisa que inibição do desejo", diz.

Segundo a sexóloga, alguns fatores orgânicos podem ser prováveis causas, como desequilíbrio hormonal, hipotireoidismo e uso de medicamentos antidepressivos. Além disso, durante a gravidez a mulher pode ser acometida pelo transtorno, pois o desejo sexual pode diminuir com o aumento da prolactina.

Assim como outros distúrbios sexuais, a inibição do desejo é altamente influenciada pelo emocional. "A mulher precisa não apenas de hormônios para ser estimulada. Para ela, é muito importante a parte afetiva na sexualidade", afirma Thaís. "E muitas vezes, as mulheres gostariam que fosse um problema hormonal por ser mais fácil de resolver", diz a ginecologista.

O que muitas delas não sabem é que o parceiro pode contribuir com o problema ao se eximir da responsabilidade e do envolvimento na relação. "Em muitos casos, o parceiro manda a mulher procurar um ginecologista, porque nunca considera um problema dele ou da relação", afirma a médica.

A psicóloga Rosemary explica que frigidez também era usada para designar a anorgasmia, ou seja, a falta de orgasmo. Segundo ela, há três categorias. A primária está ligada às mulheres que nunca tiveram orgasmo, enquanto a secundária engloba aquelas que já alcançaram, mas deixaram de ter. Já a situacional se relaciona com algumas determinadas situações, como desconforto ou cansaço. "A anorgasmia também tem a ver com a dificuldade que as mulher têm de se entregar. Isso ocorre, principalmente, com as controladoras", diz.

Quando o transtorno de desejo hipoativo apresenta causas orgânicas, o tratamento é realizado com reposição hormonal. Entretanto, grande parte dos casos é influenciada pelo psicológico e exige psicoterapia focada na sexualidade. "Antes de começar o tratamento, é fundamental analisar o histórico da pessoa", afirma a ginecologista Ana Lúcia Cavalcanti.

A médica ainda desmistifica a necessidade de chegar ao orgasmo em todas as relações sexuais. "Antes era considerado se a mulher tinha ou não desejo. Hoje, ela pode não estar com desejo, mas estar receptiva ao sexo. E se o parceiro souber estimulá-la adequadamente, ela pode se sentir satisfeita mesmo não tendo orgasmo", afirma Ana Lúcia.

Serviço:
Projeto Ambsex
http://projetoambsex.com.br/index.asp

Thaís Helena Rocha - psicóloga
Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos
www.hospitaledmundovasconcelos.com.br
 
Redação Terra
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