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Música resgata a saúde psíquica
 
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A música pode não ser o foco principal de um tratamento como na musicoterapia, mas ser um dos recursos valiosos para trabalhar questões psíquicas. É o caso da psicomúsica, segundo a psicóloga Elidihara Trigueiro que há 15 anos trabalha com músicas na clínica em questões como o estresse e em treinamentos de empresas em Fortaleza.

"É importante esclarecer que a utilização da música não se prende ao trabalho da musicoterapia, que tem uma base teórica própria. Mas existem outros modelos que trabalham com música tão científicos quanto, diferenciando-se nas técnicas", diz Elidihara, que fez a dissertação sobre doenças psicossomáticas no mestrado de Educação em Saúde pela Unifor.

A música é utilizada como elemento interventivo, preventivo e reabilitador através de sessões de relaxamento, dependendo do caso. Nas sessões iniciais, a pessoa fala de sua história de vida, infância, com o psicoterapeuta fazendo uma anamnese, inclusive da identidade musical. "Dependendo desse perfil, podemos compreender que música pode ser indicada para que a pessoa possa reequilibrar o sistema orgânico e imunológico, tanto em sessões como em casa".

Pode ser criado um CD próprio para a pessoa que está com estresse ou enxaqueca, por exemplo, segundo Elidihara. "A música é um recurso terapêutico para neutralizar e superar o mal do século que são as doenças psicossomáticas. Muitas doenças, inclusive, estão se transformando em psicossomáticas", diz Elidihara. A música pode ser a ponte de comunicação com pessoas portadoras de diversos distúrbios psíquicos porque todos possuem uma identidade sonora. "A pessoa pode ter um problema mental, perder até o contato com a realidade, mas a identidade sonora está presente".

Segundo Elidihara, os idosos se permitem trabalhar com música mais facilmente que os adultos. "Quando cantam, resgatam memórias, falam de si". O terapeuta que trabalha com música também pode ficar mais atento à fala do paciente. "A voz é um instrumento musical do ser humano. Além da música cantada ou melodiada, existe a falada. Quando estou entonando a voz, faço um timbre, uma altura de voz que pode irritar ou agradar o outro".

A voz revela um sintoma do estado emocional do paciente na clínica. Se a pessoa fala de modo muito agitado, rápido, pode ser um sinal de estresse. "Todo impulso sonoro que escuto vai do sistema auditivo ao cérebro. O impulso sonoro se transforma em impulso nervoso, este vai massagear o cérebro positiva ou negativamente, irritando ou confortando", ressalta Elidihara.

A música é usada nas sessões como um recurso de resgate do núcleo sadio da pessoa e da criatividade, para melhorar a auto-estima, fortalecendo a afetividade e estimulando o aspecto cognitivo do paciente. "As pessoas não gostam de pensar e atrofiam o lado cognitivo. A afetividade também não é vivida de modo sadio. A auto-estima está em baixa na atualidade. Trabalhar a afetividade e a cognição são dois fatores fundamentais para se viver no mundo moderno e enfrentar o estresse".
 
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