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Marli Jacobsen/Isma-BR
Meu marido não é de beber, mas às vezes passa um pouco da conta. Quando isso acontece, ele fica muito agressivo. É cientificamente comprovado que o álcool interfere na personalidade?
Regina, 24 anos.
Prezada Regina,
O primeiro passo importante do seu questionamento é que o indivíduo que faz uso do álcool possa ter consciência da sua fragilidade, dos seus pontos fracos, e, a partir daí, controlar as situações que podem levá-lo a beber de forma inadequada, vindo a "passar da conta".
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que uma pessoa tem uma síndrome de dependência quando apresenta "um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos em que o uso de uma substância alcança uma prioridade muito maior para o indivïduo que outros comportamentos que antes tinham maior valor".
Quando não evidenciar sintomas de abstinência claros, pode ser considerada como abusadora do álcool (ou bebedor problema). A característica deste tipo de bebedores é que começam a desenvolver problemas em casa, no trabalho, na vida de relação, como resultado da ingestão de bebidas alcoólicas. Entretanto, outras comorbidades devem ser pesquisadas.
Marc Schuckit, psiquiatra clínico, em seu livro Abuso de Álcool e Drogas - Uma Orientação Clínica ao Diagnóstico e Tratamento - (Editora Artes Médicas) refere que os efeitos imediatos do álcool em doses moderadas são prazerosamente percebidos pelo usuário, tornando-se uma droga muito atraente. Quando ingerido com moderação por indivíduos não-alcoolistas, com boa saúde, a maioria das alterações patológicas que ocorre é reversível.
Porém, à medida que o consumo aumenta para além do limite tolerável, ou quando indivíduos doentes bebem, o dano a vários sistemas corporais pode ser mais sério, e sinais e sintomas precoces de algumas destas alterações (irritabilidade, distúrbios de humor, coordenação reduzida, euforia, raciocínio diminuído, fala arrastada, naúseas e vômitos, etc.), podem dar ao clínico razões para aumentar seu nível de suspeita de que o paciente em questão seja um alcoolista.
Os estados de violência, segundo o psiquiatra, freqüentemente estão associados com a intoxicação alcoólica. Um indivíduo com uma história de violência não relacionada ao álcool pode demonstrar agressão severa à medida que fica cansado, agitado e talvez hipoglicêmico no meio de uma ingestão alcoólica severa. Comparar vantagens e desvantagens do uso ou não do álcool, pode auxiliar na motivação para parar o uso desregrado da bebida. Um diagnóstico correto da situação pode ser estabelecido com profissionais experientes em dependência química, oferecendo recursos de tratamento de forma apropriada.
Veja também:
O álcool
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