Caracterizado pela perda da noção de realidade e por uma desorganização do pensamento, o surto psicótico pode ser causado por doenças como a esquizofrenia, por um trauma muito grande ou pelo uso de drogas, a exemplo da cocaína.
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É durante um surto psicótico que ocorre uma perda de realidade, onde não há diferenciação entre o mundo real e o imaginário da pessoa. "Quando a pessoa está em uma crise psicótica, ela confunde os pensamentos internos dela com o mundo real. Ela não consegue distinguir o que são os pensamentos dela e o que realmente está acontecendo no mundo", comenta o psiquiatra da Unifesp, Marcelo Fernandes.
Em alguns casos há ainda uma ruptura muito intensa no contato com amigos e com a própria pessoa. "O indivíduo começa a não se reconhecer e a não reconhecer o outro. Ele não entende a situação que está vivendo no momento, mesmo que esta seja muito intensa para ele", comenta o psiquiatra da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira.
Segundo Fernandes, os dois principais sintomas do surto psicótico são os delírios e alucinações. "Quando está em surto, o indivíduo não deixa de estar consciente, mas ele vê a realidade de uma maneira distorcida", explica.
Um caso freqüente entre indivíduos em surto é sensação constante de estarem sendo perseguidos. "Ele pode achar, por exemplo, que está sendo ameaçado ou mesmo perseguido. É uma sensação muito real e intensa. Nesses casos, o indivíduo pode cometer atos de violência contra pessoas próximas", relata Eli Cheniaux Junior, psiquiatra da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
A duração de uma crise psicótica varia de acordo com suas causas, e seu tratamento pode variar de acompanhamento médico ao uso de remédios. "Sob um estresse muito grande, a pessoa pode ter um surto psicótico que dure apenas horas. Esse tipo de crise, se tratada, pode não voltar a acontecer", comenta Fernandes.
No entanto, o psiquiatra Cheniaux afirma que, em sua maioria, os surtos duram, no mínimo, algumas semanas. "Casos de surtos breves e causados por um estresse muito elevado são muito raros", comenta. Ele lembra ainda que algumas vezes a crise pode estar relacionada a doenças genéticas, quadros de depressão ou de origem orgânica.
"É importante salientar que casos de crise psicótica causadas por um trauma muito brutal ocorrem geralmente em pessoas de personalidade sensível, que sempre foram tímidas e quietas, por exemplo", finaliza Pereira.
Serviço:
Eli Cheniaux Junior - psiquiatra
www.uerj.br
Marcelo Fernandes - psiquiatra
www.unifesp.br
Mario Eduardo Costa Pereira - psiquiatra
www.unicamp.br
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