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Peça de teatro levanta discussão sobre TOC |
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Se você garante que nunca teve uma mania na vida, ao menos já bateu três vezes na madeira para afastar qualquer chance de desenvolver alguma no futuro. Atitudes repetitivas diante de certas situações, como organizar as roupas por cores no armário ou fazer o sinal da cruz depois de um susto, são mais comuns do que se imagina. E só merecem atenção, portanto, quando escondem "obsessões".
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"As manias podem ser culturais (e, nesses casos, manifestadas como superstições) ou não. Mas não são doenças. A patologia só é caracterizada quando a mania passa a atrapalhar a vida da pessoa", explica Ana Gabriela Hounie, psiquiatra e pesquisadora do Projeto Transtorno do Espectro Obsessivo-Compulsivo (Protoc), do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Nesse caso, o dono da mania pode ser na verdade um portador do transtorno obssessivo-compulsivo, o conhecido TOC.
O TOC, que é um problema psicológico, tornou-se bem popular pelo aumento do número de casos nos últimos anos - que, aliás, não se sabe se ocorreu por conta das características emocionais dessa geração ou pelos avanços no diagnóstico. Ainda assim, essas três letrinhas são rodeadas por muitos mitos e preconceitos.
Felizmente, algumas ações têm levado mais informações para a sociedade e proposto uma discussão inteligente e, por que não, até bem humorada sobre o assunto. A mais recente delas é a peça Toc Toc, que está em cartaz em São Paulo.
Escrita pelo francês Laurent Baffie e traduzida para o português por Clara Carvalho, a obra conta a história de seis pacientes que se conhecem na sala de espera de um psiquiatra. Branca (interpretada por Márcia Cabrita) tem mania de limpeza; Maria (Angela Barros), sempre acha que esqueceu tudo aberto; Lili (Flavia Garrafa) tem o hábito de repetição; Bob (Sergio Guizé) é fanático por simetria; Vicente (Marat Descartes) não consegue parar de fazer contas e Fred (Riba Carlovich) inclui palavras obscenas constantemente em seu vocabulário.
De acordo com os especialistas, não há uma lista de compulsões que indicam a doença, mas as retratadas na peça estão entre as manias mais comuns de quem sofre de TOC.
Em entrevista ao Terra, a atriz Márcia Cabrita disse que sempre teve muita curiosidade sobre o TOC, por isso aceitou o papel. Mas ela deixa claro que não há qualquer semelhança entre ela e sua personagem "maníaca" por limpeza. "Não tenho manias e para compor a Branca tive que pesquisar bastante sobre o assunto", conta.
Serviço:
Ana Gabriela Hounie - psiquiatra e pesquisadora do Projeto Transtorno do Espectro Obsessivo-Compulsivo (Protoc) do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)
www.protoc.com.br
Para inscrições no programa: protoc@protoc.com.br
Geraldo Possendoro - psicoterapeuta especialista em ansiedade e professor de medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
www.gpossendoro.med.br/
Toc Toc
Texto de Laurent Baffie; direção, Alexandre Reinecke e produção, LG Tubaldini
Elenco: Marcia Cabrita, Angela Barros, Marat Descartes, Flavia Garrafa, Riba Carlovich, Sergio Guizé e Carô Parra
Teatro Gazeta até o dia 23 de novembro
Horários: sexta às 21h30, sábado às 20h e domingo às 18h
www.teatrogazeta.com.br
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Redação Terra
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