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No SUS, as filas para cirurgia demoram até 15 anos
 
Lívia Perozim
 
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Segundo o chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp e presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Obesidade, José Carlos Pareja, as filas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) para a cirurgia de obesidade são grandes. "No Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode demorar de 12 a 15 anos. Temos cerca de 1.600 mil pessoas na fila e fazemos, em média, quatro cirurgias por semana", afirma.

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Atualmente, diz Pareja, a fila de espera na Unicamp é a segunda maior do País, perdendo para o Hospital das Clínicas de São Paulo, onde mais de duas mil pessoas esperam pela operação.

"O problema é nacional, não só da Unicamp. Enquanto não houver investimentos na área de saúde, não há como reverter a situação, já que o número de obesos aumenta gradativamente no Brasil", analisa o especialista.

No Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp, segundo Pareja, há duas filas de atendimento: "Uma para doentes mais graves que, se não forem operados, provavelmente vão morrer. Outra é para pacientes com menos risco de morte".

"Não temos estatísticas na Unicamp, mas a USP de São Paulo tem e 3% dos pacientes chegam a morrer na fila dos doentes graves", revela Pareja.

Segundo o médico, para agilizar o atendimento aos pacientes que procuram a Unicamp, eles são encaminhados para outros centros de referência, como o Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba e o Hospital de Base de São José do Rio, ambos no estado de São Paulo.

"Há 55 centros médicos do SUS que realizam a cirurgia, sendo que 20 deles estão no estado de São Paulo", afirma o especialista. Não há dados exatos, mas Pareja acredita que cerca de 3 mil cirurgias de redução de estômago são feitas no Brasil por ano, sendo que entre 500 e 700 delas são realizadas pelo SUS e o restante, por estabelecimentos particulares e através de convênios.

De acordo com o cirurgião, que também atende em uma clínica particular de Campinas, o custo desta cirurgia, no setor privado, varia de R$ 10 mil a R$ 16 mil. O valor é alto, explica, porque é necessário o uso de um aparelho especial, o grampeador, que é descartável. "Vários convênios cobrem esta cirurgia, como o do Bradesco, o da Vera Cruz e o da Sudamérica", diz Pareja.
 

Redação Terra
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