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Nigéria é oficialmente declarada como país livre do ebola pela OMS

20 out 2014
10h20

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta segunda-feira que a Nigéria é um país livre do ebola e parabenizou a nação pela maneira com a qual soube controlar a expansão da doença.

"Esta história de sucesso espetacular mostra que o ebola pode ser contido", afirmou a OMS em comunicado, no qual destacou que a expansão na Nigéria poderia ter representado "o maior e mais explosivo surto de ebola imaginável".

Acrescentou que o exemplo da Nigéria "pode ajudar outros países em desenvolvimento que têm medo de importar um caso de ebola".

"Muitos países ricos, com sistemas de saúde extraordinários, têm também o que aprender", alertou a organização.

Para descartar que uma pessoa irá desenvolver a doença devem passar 42 dias - o dobro do período de incubação do vírus ebola - sem que se manifestem os sintomas.

Por isso, para que um país seja declarado livre do vírus, devem passar 42 dias desde que todas as pessoas que tiveram contato com o portador inicial ou com algumas das pessoas infectadas não tenham desenvolvido a doença.

Enquanto a doença não foi considerada como controlada na Nigéria, o medo prevaleceu, já que a população do país é a maior da África, onde, somente em Lagos, a capital econômica, vivem cerca de 21 milhões de pessoas, mais que nos três países afetados juntos (Guiné, Libéria e Serra Leoa), lembrou a OMS.

As autoridades foram capazes de monitorar todos os contatos, tanto em Lagos como em Port Harcourt, a outra cidade que registrou focos da doença, e a expansão do ebola foi contida.

Todos os contatos foram monitorados durante 21 dias e os que adoeceram foram isolados segundo os protocolos de segurança.

A Nigéria informou no dia 23 de julho que tinha um caso importado de ebola, quando anunciou que um diplomata liberiano que entrou no país três dias antes tinha desenvolvido a doença e infectado algumas das pessoas com as quais teve contato.

O diplomata apresentou sintomas antes de viajar e, mesmo assim, embarcou, vomitou durante o voo e, ao aterrissar, foi transferido diretamente para o hospital, onde morreu cinco dias depois.

No hospital, disse que tinha malária e negou contato com qualquer paciente de ebola. No entanto, sua irmã morreu pior decorrência do vírus e ele a visitou no hospital e esteve presente em seu funeral.

Ao negar que teve contato com o ebola, os funcionários do hospital não se protegeram e nove deles acabaram desenvolvendo a doença, sendo que quatro morreram.

O outro foco do vírus foi em Port Harcourt, por intermédio de uma pessoa que teve contato com esse mesmo diplomata.

No total, 19 pessoas se contagiaram e sete morreram, mas a expansão do vírus foi contida graças às autoridades nigerianas, que souberam controlar o foco com eficiência, segundo a organização.

A taxa de mortalidade na Nigéria ficou em 40%, muito mais baixa que os 70% nos três países mais atingidos pelo surto da doença.

O sucesso no controle da expansão do vírus ebola dá esperanças à OMS de que a Nigéria possa controlar também, em um prazo relativamente curto, o vírus da pólio, afirmou a organização no comunicado.

A Nigéria é um dos três países do mundo, junto com Afeganistão e Paquistão, onde a pólio ainda é endêmica, o que põe em risco a estratégia da OMS de erradicar a doença antes de 2018.

No entanto, a OMS lembrou que a Nigéria continua sendo um país vulnerável a importar casos de ebola, por isso pediu que as medidas de segurança e vigilância continuem rígidas.

EFE   

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