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OMS: Infecções comuns podem matar de novo por resistência a antibióticos

29 abr 2015
11h53
atualizado às 11h53
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Infecções que nas últimas décadas foram curáveis graças a antibióticos podem começar a matar novamente pelo aumento das bactérias resistentes a estes fármacos, advertiu nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma avaliação mundial -para a qual 133 países forneceram dados- revela que esta problemática já se transformou em uma das maiores ameaças para a saúde global e que ignorá-la seria "catastrófico".

A OMS confirma portanto, sem medidas para evitar o problema, que o mundo se dirige para "uma era pós antibióticos", na qual "doenças comuns e ferimentos tratáveis por décadas podem começar novamente a matar", disse em entrevista coletiva o especialista da OMS Charles Penn.

As patologias comuns às quais se referiu vão desde a pneumonia até a Aids, passando pela tuberculose.

A cada ano, por exemplo, são registradas centenas de milhares de novos casos de tuberculose multiresistente que são impossíveis de tratar.

Além disso, existe o perigo de perder os benefícios dos avanços médicos conquistados mediante quimioterapia ou cirurgias maiores, acrescentou Penn.

O uso durante longo tempo dos antibióticos e outros antimicrobianos gera naturalmente um processo de resistência, mas este se acelera quando são utilizados de forma excessiva, inadequada ou quando são de má qualidade.

Um dos principais problemas encontrados é que a venda de antibióticos e outros remédios antimicrobianos sem prescrição médica é habitual em muitos países, ao qual se soma a disponibilidade de remédios pela internet.

Este último fator provoca que as pessoas possam ter acesso a remédios que não poderiam comprar em uma farmácia sem receita médica, inclusive em países onde existe uma boa regulação a respeito.

"A venda de antibióticos sem prescrição é muito comum no mundo todo, o que faz com que o potencial de má utilização seja muito alto", explicou o especialista da OMS.

Segundo a avaliação da Organização -que não quis apontar países específicos-, mais da metade dos Estados da América forneceram dados indicando que a venda de remédios antimicrobianos é feita sem receita médica.

"As pessoas têm mais consciência que antes (dos riscos do mal uso dos antibióticos), mas em geral ainda é baixa. Há pessoas que seguem pensando que os antibióticos funcionam para infecções virais, o que faz com que os usem quando não é necessário", disse Penn.

A esta situação contribui o fato de muitos países carecerem de direções de tratamento, o que aumenta não só a automedicação, mas o mal uso ou escolha do antibiótico por parte dos médicos.

Outro fator que aumenta a incidência da resistência é o que o tratamento não seja completado.

O terceiro problema encontrado são os remédios de pouca qualidade e que não contêm a quantidade apropriada do ingrediente ativo, o que resulta em uma dosagem menor à qual se acredita.

Esta situação se agrava no caso dos fármacos falsificados.

O relatório apresentado hoje servirá de base de discussão para o plano global de ação para combater a resistência aos antimicrobianos que os países-membros da OMS abordarão em sua assembleia anual de maio em Genebra.

Apenas um de quatro países que forneceram informação para o estudo contam com um plano de ação nacional a respeito.

Sobre o uso de antibióticos na indústria alimentícia e seu impacto nas pessoas, Penn confirmou que esta relação existe.

"Há certas evidências de que o uso excessivo (de antibióticos em animais para o consumo) pode levar à presença de bactérias resistentes em animais e isto pode impactar na aparição de resistência a esses antibióticos na população humana", comentou.

No entanto, ainda é preciso mais informações sobre esta questão.

EFE   
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