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Alcoolismo enfraquece os músculos; pesquisa descobre por quê

21 abr 2014
12h29
atualizado às 14h20
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O impacto do alcoolismo na fusão das mitocôndrias das células contribui para o enfraquecimento dos músculos, segundo um estudo liderado pela bioquímica chilena Verónica Eisner e publicado nesta segunda-feira (21).

A fraqueza muscular é um sintoma comum tanto em pessoas que foram alcoólatras durante muito tempo quanto em pacientes com doença das mitocôndrias, os organelos celulares que fornecem a maior parte da energia necessária para a atividade celular.

Em artigo publicado na revista Journal of Cell Biology, Eisner - da Universidade Thomas Jefferson -e seus colegas descrevem um elo comum em ambas condições: mitocôndrias que não podem ser reparadas.

As mitocôndrias reparam seus componentes partidos fundindo-se com outras mitocôndrias e trocando seus conteúdos. Nesse processo, as partes danificadas se separam para um reprocessamento e são substituídas por proteínas da mitocôndria saudável, funcionando normalmente.

O tecido muscular depende constantemente da energia que fornecem as mitocôndrias, o que faz com que o trabalho de reparação seja uma necessidade frequente.

Mas como as mitocôndrias estão muito acirradas entre as fibras de células musculares, a maioria dos cientistas achava que a fusão de mitocôndrias era impossível nestes tecidos.

Eisner criou um sistema para "etiquetar" as mitocôndrias nos músculos de esqueletos dos ratos de laboratório com duas cores diferentes. Depois, observou se se combinavam.

Segundo o artigo, Eisner primeiro criou um modelo de estudo com ratos cujas mitocôndrias manifestavam a cor vermelha o tempo todo, e também mediante engenharia genética fez com que as mitocôndrias nas células se tornassem verdes quando eram atingidas por raio laser.

Assim, criou quadrados de mitocôndrias verdes brilhantes sobre um fundo vermelho.

Surpreendentemente, as mitocôndrias verdes se combinaram com as vermelhas, trocando seus conteúdos, e também foram capazes de ir a outras áreas onde antes só havia mitocôndrias de cor vermelha. "Os resultados mostraram pela primeira vez que a fusão de mitocôndrias ocorre nas células musculares", disse Eisner.

Depois, o grupo de pesquisa liderado por Gyorgy Hajnoczky, diretor do Centro MitoCare em Jefferson, demonstrou que das proteínas na fusão de mitocôndrias, a denominada Mfn1 era a mais importante nas células dos músculos do esqueleto.

Os cientistas observaram que a abundância de Mfn1 diminuía até 50% nos ratos com uma dieta de conteúdo alcoólico regular, enquanto que as outras proteínas na fusão não se alteravam.

A diminuição apareceu acompanhada de uma redução substancial da fusão de mitocôndrias, e os investigadores relacionaram a míngua da Mfn1 e da fusão de mitocôndrias com o aumento da fadiga muscular.

EFE   

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