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10 de dezembro de 2012 • 07h29

Conheça o câncer de língua e previna-se

Estima-se 14.170 novos casos de câncer na boca para este ano. Diante de alguma lesão na língua que não cicatrize em um prazo máximo de 15 dias, deve-se procurar um profissional de saúde (médico ou dentista) para a realização do exame completo da boca. A visita periódica ao dentista favorece o diagnóstico precoce do câncer de boca, porque é possível identificar lesões suspeitas. 
Foto: Shutterstock
 

 

O INCA – Instituto Nacional do Câncer – estima 14.170 novos casos de câncer na boca para este ano. Os tumores de cabeça e pescoço correspondem a cerca de 10% dos tumores malignos que acometem o ser humano; desses 40 % situam-se na cavidade oral, mais comumente na língua e soalho de boca.
 
Na língua, a lesão pode apresentar-se como uma afta ou lesão ulcerada, ambas dolorosas e de fácil percepção. “O paciente deve procurar imediatamente um profissional especializado quando essa lesão ulcerada não melhora com tratamentos, progride e aumenta de tamanho, começa a sangrar e apresentar bordas endurecidas”, afirma o médico Roberto Elias, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Outra manifestação pode ser apenas uma lesão plana vermelha (eritroplasia) ou branca (leucoplasia) que habitualmente são indolores. Nesses últimos casos, geralmente são diagnosticadas em estágios mais avançados da doença.
 
Segundo o médico Elge Werneck Araújo Júnior, oncologista da CLINONCO, o álcool e tabaco são os principais fatores de risco, de forma independente. Porém, quando associados, o potencial oncogênico aumenta de forma considerável, em até 140%.
“Ressalto que o tabaco é um fator de risco não apenas em forma de cigarro, mas também em fumo para mascar”, diz. Há, ainda, outros fatores de risco: infecções, em especial pelo HPV e trauma repetitivo local, geralmente causado por próteses dentárias mal adaptadas. 
 
A doença é mais comum entre homens de 40 a 60 anos. A má higiene bucal também contribui para o surgimento da doença. Isso porque usuários de tabaco/álcool normalmente se descuidam da saúde oral, o que propicia infecções que contribuem para o quadro. 
 
Prevenção
Na opinião de Elge Júnior, ao reduzir os fatores de risco, que parecem responder a mais de 90% dos casos diagnosticados, o câncer de boca teria sua incidência reduzida de forma drástica, tornando-se rara. “Interromper o tabagismo e etilismo, fazer controle dentário/protético regular, com higiene ideal e ajuste de prótese dentária”. 
 
O especialista alerta, ainda, para a importância do uso da camisinha na hora do sexo oral. “O HPV é conhecido fator de risco para câncer de língua e para todos cânceres de cabeça e pescoço”.
 
Diagnóstico
O INCA recomenda que, diante de alguma lesão que não cicatrize em um prazo máximo de 15 dias, deve-se procurar um profissional de saúde (médico ou dentista) para a realização do exame completo da boca. A visita periódica ao dentista favorece o diagnóstico precoce do câncer de boca, porque é possível identificar lesões suspeitas. 
 
Sintomas
- lesões na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias
- manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, palato (céu da boca), mucosa jugal (bochecha)
- nódulos (caroços) no pescoço
- rouquidão persistente
 
Nos casos mais avançados observa-se:
- Dificuldade de mastigação e de engolir
- Dificuldade na fala
- Sensação de que há algo preso na garganta
 
Tratamento
Se diagnosticado no início e tratado da maneira adequada, a maioria (80%) dos casos desse tipo de câncer tem cura. Geralmente, o tratamento emprega cirurgia e/ou radioterapia. Os dois métodos podem ser usados de forma isolada ou associada. As duas técnicas têm bons resultados nas lesões iniciais e a indicação vai depender da localização do tumor e das alterações funcionais que possam ser provocadas pelo tratamento. As lesões iniciais são aquelas restritas ao local de origem.
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