atualizado às 19h46

Seminário sobre equilíbrio energético mostra caminhos para vida saudável

 

Reunidos em um seminário sobre equilíbrio energético que foi encerrado nesta sexta-feira, no Guarujá, litoral de São Paulo, especialistas em nutrição destacaram a importância de modificar os hábitos de vida, como incorporar o exercício físico moderado à rotina e ter uma dieta que inclua os diferentes grupos alimentícios.

Durante dois dias, mais de 130 nutricionistas, pesquisadores e profissionais da saúde analisaram as últimas contribuições da ciência e os avanços médicos sobre os mecanismos de equilíbrio entre ingestão e despesa calórica. O especialista em Medicina Interna da Universidade de Rosário de Bogotá, John Duperly, defendeu a atividade física como principal elemento para combater doenças cardiovasculares crônicas e diabetes.

Duperly detalhou que a prática de exercício moderado ativa 800 genes ao mesmo tempo e criticou os médicos por transferir a responsabilidade da prescrição de atividade física a outros profissionais que carecem de formação suficiente sobre a fisiologia humana. O especialista mencionou cinco mudanças no estilo de vida que reduziriam em 90% o risco de diabetes tipo 2: "Não fumar, consumo moderado de álcool, cinco porções de fruta e verdura ao dia, peso normal e 150 minutos de exercícios por semana.

Na opinião de Duperly, apesar de a expectativa de vida ter aumentado, a qualidade de vida dos últimos anos de um doente crônico costuma ser precária. O cientista Eric Ravussin, da Universidade de Lousiana (EUA), explicou que nos últimos 50 anos a evolução em direção a trabalhos mais sedentários foi responsável pela redução de 140kcal de despesa energética em homens e 120 a menos em mulheres.

Ravussin relacionou a obesidade com fatores como as mudanças no meio ambiente e os hábitos das pessoas. O professor da Universidade Marista de Mérida (México), Hugo Laviada, analisou o impacto das dietas baseadas em diferentes componentes nutricionais e comentou que o regime hiperprotéico apresenta um "discreto" aumento de despesa energética e efeito de saciedade, embora tenha deixado claro que os resultados foram obtidos através de estudos a curto prazo.

Além disso, Laviada recomendou o desenvolvimento de programas personalizados para cada paciente e expressou a preferência pela dieta equilibrada. Por sua vez, Mauro Valencia, da Universidade de Sonora (México), falou sobre métodos, processos e equipamentos para a medição da despesa energética em uma exposição de caráter técnico, na qual reconheceu a complexidade de levar à risca esses cálculos.

O simpósio terminou com uma mesa-redonda, perguntas do público e a apresentação dos resultados de uma enquete entre os participantes. O endocrinologista mexicano Fernando Lavalle, que preside a Série Científica Latino-Americana, iniciativa para a discussão sobre saúde e ciência que promove o debate, fechou o simpósio.

Lavalle fez um resumo das principais conferências, defendeu que os participantes tirem suas próprias conclusões e fez um convite à reflexão sobre os aspectos que considerem mais relevantes. O próximo simpósio da Série Científica Latino-Americana será realizado em 2013, no México, e tratará dos mecanismos para mudar os hábitos de vida.

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