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Apenas parte dos milhões de infectados com hepatite sabem que tem a doença

21 abr 2017
12h00
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Cerca de 257 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da hepatite B e outros 71 milhões com o da hepatite C, mas apenas uma parte sabe que tem a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A agência da ONU publicou nesta sexta-feira seu Relatório Mundial sobre a Hepatite, no qual estima que 328 milhões de pessoas convivem com um dos dois tipos de hepatite mais perigosas que existem e que os põem em risco de desenvolver doenças crônicas do fígado ou câncer que derivem em morte.

Segundo os dados da OMS, em 2015 a hepatite viral causou 1,34 milhão de mortes, quase o mesmo número que o vírus HIV ou a tuberculose, mas enquanto o número de mortes por estas duas doenças caiu nos últimos anos, o da hepatite continua crescendo.

"Esta tendência é preocupante. De 2000 a 2015 as mortes aumentaram 22%", explicou o diretor do programa de Hepatite da OMS, Gottfried Hirnschall.

Do 1,34 milhão de mortes, 720 mil foram causadas por cirrose e 470 mil por câncer de fígado.

Este elevado número de mortes se deve a que a grande maioria desconhece que está infectada e portanto não tem acesso ao tratamento para se curar.

Segundo as estimativas da OMS, apenas 9% dos infectados com o vírus da hepatite B (22 milhões) está consciente disso, e só 20% de quem tem o vírus da hepatite C (14 milhões) sabe da doença.

Em 2015, estima a OMS, apenas 8% dos diagnosticados com o vírus da hepatite B (1,7 milhão de pessoas) estava recebendo tratamento, enquanto que somente 7,4% (1,1 milhão de pessoas) tinham começado nesse ano o tratamento contra a hepatite C.

Não obstante, apesar de o número acumulado de pessoas que até 2015 recebiam tratamento contra a hepatite C tenha sido de 5,5 milhões, apenas meio milhão tinha recebido o novo fármaco antiviral de última geração (DAAs) que cura a doença em três meses.

"Quando o fármaco surgiu (em 2014) custava US$ 80 mil por tratamento, mas agora que em muitos lugares já se pode comprá-lo por US$ 200 os governos deveriam fazer mais esforços para disponibilizá-lo", declarou Hirnschall.

A hepatite é a inflamação do fígado, causada na maioria dos casos por uma infecção virótica devida a cinco vírus principais: A, B, C, D, E.

Os mais perigosos são os tipos B e C, que são os responsáveis por 96% de todas as mortes causadas pela hepatite.

O C conta com tratamento e o B com uma vacina.

A hepatite A e E - que também têm vacina - são contraídas após ter se ingerido água ou comida contaminada, enquanto que os vírus B, C ou D são contraídos por contato com fluidos corporais após o compartilhamento de uma seringa, devido a uma transfusão de sangue ou por transmissão sexual, entre outros.

O fato de que exista uma vacina eficaz contra o vírus B fez com que o número de infecções por este tipo tenha caído nos últimos anos.

Globalmente, 84% das crianças nascidas em 2015 receberam as três doses recomendadas da hepatite B, o que reduziu a prevalência da doença entre os menores de 5 anos para 1,3%.

No entanto, apesar das estratégias implementadas para deter a infecção com o vírus C, ainda 5% das intervenções de saúde no mundo são feitas com agulhas reutilizadas.

Somando este fato ao problema dos usuários de drogas, o número de novas infecções com o vírus da hepatite C em 2015 chegou a 1,75 milhão.

Por regiões, a área do Pacífico ocidental (6,2% da população) e África (6,1%) têm o maior número de infectados com o vírus B, enquanto que a prevalência do vírus C é maior no Mediterrâneo oriental (2,3%) e na Europa (1,5%).

Em maio de 2016, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a Estratégia Global para a Hepatite que procura eliminar a doença como uma ameaça de saúde pública antes de 2030 e para isso as novas infecções devem cair 90%.

A mortalidade deve ser reduzida em 65%.

"Impusemos a nós mesmos um objetivo ambicioso. Estamos ainda longe de consegui-lo, pelo que devemos redobrar nossos esforços", concluiu Hirnschall.

EFE   

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