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Cientistas manipulam rato geneticamente para resistir à dependência à cocaína

13 fev 2017
15h02
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Cientistas da Universidade de Colúmbia Britânica, no Canadá, conseguiram manipular geneticamente um rato para resistir à dependência de cocaína, publicou nesta segunda-feira a revista científica britânica "Nature".

Com este experimento, liderado por Shernaz Bamji, os especialistas demonstraram que o consumo habitual desta droga, que é altamente viciante, responde mais a uma questão genética e bioquímica.

O rato manipulado pelos cientistas tinha níveis maiores de uma proteína chamada cadherina, que auxilia as células a se manterem unidas.

No cérebro, esta proteína ajuda a reforçar as sinapses, as conexões neuronais.

A ação de aprender, inclusive o 'prazer' provocado pelas drogas, requer o fortalecimento de certas sinapses e, por isso, a professora Shernaz Bamji pensou que um acréscimo de cadheria no cérebro tornaria o rato mais propenso à dependência à cocaína.

Mas o que Bamji e seus colegas descobriram acabou sendo exatamente o contrário, conforme publicou hoje a "Nature".

Para realizar o experimento, os especialistas utilizaram dois ratos, dos quais apenas um foi manipulado geneticamente.

Aos dois foi fornecida cocaína em uma caixa claramente identificável, de maneira que os mesmos pudessem associar esse espaço com o consumo da droga.

Após fornecer cocaína às cobaias durante vários dias seguidos, os roedores ficavam livres para passar o tempo em qualquer um dos compartimentos da caixa e, enquanto o rato normal praticamente gravitava em torno do local onde tinha tomado a droga, o outro passou a metade do tempo nesse compartimento.

Assim, ficou comprovado que o rato com mais cadherina não tinha criado lembranças fortes da sensação provocada pelo entorpecente.

Para entender o inesperado resultado do experimento, Bamji analisou o cérebro do rato manipulado e concluiu que o acréscimo de cadherina previne que um tipo de receptor neuroquímico se transfira do interior das células para a membrana sináptica.

Sem esse receptor, conforme explica o artigo, é difícil para os neurônios se comunicarem, por isso as sinapses não são fortalecidas e a 'lembrança do prazer' produzido pela droga não adere ao cérebro.

"Prevenindo o reforço das sinapses, foi possível prevenir que o rato manipulado 'aprendesse' a lembrança da cocaína, por isso ele ficou mais resistente a se tornar um viciado", afirmou a coautora do estudo, Andrea Globa.

Esta descoberta demonstra que as pessoas que sofrem problemas de dependência tendem a ter maiores mutações genéticas relacionadas com a cadherina e com a adesão celular.

Além disso, os especialistas alegam que esses estudos evidenciam a importância dos componentes bioquímicos nas pessoas viciadas e podem ajudar a prever quais pessoas são mais vulneráveis aos efeitos das drogas.

EFE   

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