Dente de leite poderá ajudar no tratamento do Alzheimer

Polpa do dente é fonte de células tronco, material capaz de regenerar e reconstruir tecidos humanos como pele e neurônios

26 ago 2016
08h00
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É comum algumas mães guardarem os dentes de leite de seus filhos como recordação. Outras chegam a fazer até colares ou pulseiras com eles. Se você está sem ideias quanto ao destino dos primeiros dentinhos dos seus filhos, aqui vai uma bem bacana: faça com que ele vira objeto de estudo para ajudar no tratamento de doenças como o Alzheimer!

Um dente que caiu e ficou guardado em casa não serve mais para esse fim uma vez que a polpa do dente desidrata e as células morrem
Um dente que caiu e ficou guardado em casa não serve mais para esse fim uma vez que a polpa do dente desidrata e as células morrem
Foto: Nagu-Bagoly Arpad / Shutterstock

Já faz um tempo que foi descoberta uma excelente fonte de células tronco na polpa do dente de leite. Mas qual o poder dessas células? Bem, elas ainda estão sendo pesquisadas, mas já se sabe que elas têm capacidade para regenerar e reconstruir tecidos humanos tais como ossos, vasos sanguíneos, pele, músculo, cartilagens, neurônios, etc.

“Estudos muito promissores nos dizem que poderemos utilizar as células tronco armazenadas para substituir as que estão danificadas e é exatamente neste sentido que a captura das células da polpa do dente de leite poderão ajuda nos tratamentos de diversas doenças”, diz Fernanda Natrieli, cirurgiã-dentista da A Clínica Oral que faz esse trabalho de coleta dos dentes de leite.

As células tronco também têm tido resultados muito bons em procedimentos estéticos e reparadores, como queimaduras, úlceras de perna e fissuras lábios palatinas.

A coleta
Embora tenha regras, essa coleta é mais simples do que você pode imaginar. Para que o dente de leite possa ser coletado para a pesquisa, ele deverá estar sadio, sem cáries e sem alterações em sua estrutura, por isso é importante a avaliação do dentista na escolha deste dente.

“A coleta deve ser feita na clínica, com o dentista, após uma limpeza prévia do mesmo. O dente escolhido deve ser aquele que já está na fase de cair. Os dentes de leite normalmente começam a cair dos 5 anos e esse processo pode durar até os 12, quando todos os dentes de leite já devem ter sidos trocados”, diz Fernanda.

E se cair em casa?
Os que caírem em casa também podem ser coletados, mas só se forem levados imediatamente à clínica.

“O ideal é que seja o dentinho coletado na clínica, pois assim tomamos os cuidados necessários para a coleta e armazenamento do mesmo que deve ser feito com todo o critério de assepsia. E sendo programado, o coletor já estará na clínica aguardando pelo dente. Um dente que caiu e ficou guardado em casa não serve mais para esse fim uma vez que a polpa do dente desidrata e as células morrem”, diz a especialista.

Permanente não serve?
Na verdade dentes permanentes também podem ser utilizados. No caso da capitação dos terceiros molares permanentes, os dentes do siso, alguns critérios devem ser respeitados.

“Eles não podem estar cariados, nem com processos infecciosos e no momento da extração não pode ser feita a odontosecção, que é cortar o dente no meio para permitir e facilitar sua remoção, procedimento muito comum nas extrações destes dentes”, diz a especialista.

Mas existem motivos para que os profissionais prefiram coletar os dentes de leite. “As células dos dentes de leite são mais jovens e com isso têm melhor qualidade quando comparamos aos dentes permanentes. Sem falar que a perda do dente de leite é um processo natural e fisiológico pelo qual todas as crianças passam, ao contrário da extração de dentes permanentes, que, inclusive, deve ser evitada”, diz Fernanda.

Agência Beta

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