A chupeta pode prejudicar a fala do seu bebê?

Uma salvação para muitas as mães, a chupeta impede que a criança treine movimentos para a execução dos sons

11 out 2016
08h00
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Uma coisa ninguém pode negar: a chupeta é imbatível no quesito “acalmar criança” e por isso, até mesmo aquelas mães que juravam que nunca iriam usá-la, acabam cedendo aos seus encantos. Mas o uso prolongado desse item milagroso pode trazer alguns danos para a criança, entre eles, problemas na fala.

Se a mãe quiser recorrer à chupeta para acalmar a criança, ela pode ser usada, com critérios, até os quatro meses de idade
Se a mãe quiser recorrer à chupeta para acalmar a criança, ela pode ser usada, com critérios, até os quatro meses de idade
Foto: llya Andriyanov / Shutterstock

Isso acontece porque ela promove a flacidez dos músculos da boca e face e altera a posição da língua que fica mais para frente e para baixo dificultando movimentos específicos para a produção de alguns fonemas.

“Além disso, uma criança que passa muito tempo com a chupeta na boca deixa de treinar movimentos importantes para execução dos sons”, diz Viviane Veroni Degan, fonoaudióloga especialista em Motricidade Orofacial.

E os danos causados pela chupeta podem não ser reversíveis espontaneamente. “Principalmente porque eles costumam vir acompanhados de outros danos, como por exemplo, alterações nas arcadas dentárias, problema que também prejudica a fala. Neste caso, há a necessidade de tratamento fonoaudiológico e odontológico, muitas vezes associadamente”, diz Viviane.

Além de alterar a fala, a chupeta ainda pode prejudicar o funcionamento da respiração, da mastigação e da deglutição e o desenvolvimento dos dentes e dos ossos da face da criança.

Tempo de uso
Mas será que o tempo de uso desse item influencia na gravidade dos danos? Segundo Viviane, sim. “Quanto maior o tempo de uso, maior as chances de provocar alterações no desenvolvimento da criança”, diz a especialista.

Proibida totalmente?
Viviane não acredita que haja a necessidade de se introduzir a chupeta na rotina da criança, mas se a mãe quiser recorrer a esse mecanismo para acalmá-la, ela pode ser usada, com critérios, até os quatro meses de idade.

“Mas mesmo assim recomendo esse uso somente para crianças que tendem a manter a sucção mesmo depois de serem alimentadas ou em casos de sucção de dedos, que é mais prejudicial para a arcada dentária do que a chupeta”, diz a fonoaudióloga.

Uma alternativa super indicada é manter a amamentação natural do bebê pelo maior tempo possível, pois, além dos benefícios do leite materno, essa prática contribui para que a criança não mantenha a sucção depois de alimentada, pois exige maior esforço da criança inibindo a necessidade de sucção.

Evite o hábito
Para a especialista, o importante é não deixar que a chupeta se torne hábito. “Oferecê-la quando a criança está com fome, dor e em situações de desconforto faz com que a chupeta se torne hábito que, uma vez instalado, dificulta sua remoção”, diz Viviane.

Para finalizar, a especialista dá uma dica de como fazer a criança, ainda pequenina, desistir da chupeta. “Toque os lábios da criança com a chupeta, espere ela abocanhá-la e iniciar a sucção. Então segure na argola e puxe-a para trás. A criança terá que sugar com mais força da próxima vez, fazendo com que ela se canse e solte a chupeta. Neste momento, guarde-a em local fora do alcance dela”, diz Viviane.

Agência Beta

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