“Antibiótico não causa cárie, mas como é administrado, sim”

O remédio não tem esse principio ativo, mas seu alto teor de açúcar somado a uma má higiene bucal pode causar o problema

30 ago 2016
08h00
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Com certeza você já ouviu de alguém mais velho que, por causa da excessiva ingestão de antibióticos na infância, ela teve muita cárie. O quanto de mito e verdade tem nessa afirmação? É o que vamos descobrir nessa matéria.

Os remédios feitos especificamente para as crianças costumam ter alto teor de açúcar para tornar o sabor menos repulsivo para elas
Os remédios feitos especificamente para as crianças costumam ter alto teor de açúcar para tornar o sabor menos repulsivo para elas
Foto: nito / Shutterstock

Bom, vamos começar com a verdade nua e crua: antibióticos não causam cárie. A cárie está relacionada com qualidade e frequência da higienização bucal, dieta e consumo excessivo de certos alimentos como açúcar e carboidratos e a microbiótica bucal (presença, ou não, de bactérias produtoras de ácidos no ambiente) e, principalmente, relacionada a como tudo isso está funcionando dentro da boca da pessoa.

Tetraciclina, o vilão
No entanto, existe um tipo específico de antibiótico, o Tetraciclina, que pode afetar as estruturas do dente se usado em épocas em que eles estão em formação.

“Além disso, ele pode causar manchas na superfície do dente. Geralmente as manchas são acinzentadas, pois a Tetraciclina mineraliza os tecidos formados através do cálcio”, diz Alexandre Bussab, odontologista da Clínica Brasil Smiles.

Exatamente por causa disso, a prescrição desse tipo específico de antibiótico tem sido evitada para crianças e gestantes, pois ele poderia afetar a formação óssea e dental do feto e manchar os dentes das crianças em fase de crescimento que estão trocando os de leite pelos permanentes.

Remédio docinho
Apesar de esclarecida a relação dos antibióticos com a cárie, para Felipe Lucas Sampaio, cirurgião-dentista e odontopediatra, é preciso que algumas associações sejam feitas.

“Realmente os antibióticos não causam cárie, pois eles não têm esse princípio ativo, mas é bem verdade que os remédios feitos especificamente para as crianças costumam ter alto teor de açúcar para tornar o sabor menos repulsivo para elas. Além disso  eles podem ser extremamente ácidos, o que pode fragilizar o esmalte dental”, diz o especialista.

Some isso ao fato de que durante o período em que a criança está debilitada, seja por mimo, estresse ou excesso de zelo, os pais costumam afrouxar algumas ordens diárias e entre elas pode estar a exigência de uma eficiente higiene bucal.  Pronto, taí uma combinação perigosa.

“Antibióticos não causam cárie, mas acúmulo de açúcar na boca e má higienização bucal, sim. No fim, costumo dizer que não é o remédio que causa a cárie e sim a forma como ele é administrado pelos pais”, diz Felipe.

Nada de manha
Para Felipe e Átila, só existe uma forma de evitar os danos causados por remédios excessivamente açucarados em crianças: não abrir mão da higiene bucal dos pequeninos, mesmo quando eles estiverem bem doentinhos e manhosos.

“Assim que o remédio for ingerido, é importante fazer uma escovação e higienização dos dentes para a remoção dos resíduos que possam ter ficado na boca. Não use muita força e utilize movimentos circulares curtos. O ato deve durar no mínimo dois minutos. As escovas com cerdas macias são as mais indicadas, pois, com sua flexibilidade, conseguem alcançar os lugares mais difíceis e apertados”, diz Alexandre.

E nem os bebês que ainda não tem dentes devem ser aliviados nessa hora. “Em caso de crianças muito pequenas, os pais devem limpar a boquinha deles com uma fralda ou gaze umedecida com água filtrada”, diz o especialista.

Agência Beta

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