Dente no céu da boca: “Achava anormal demais”

Empresário relata o que teve que fazer quando percebeu que seu canino superior nasceu no céu da boca

10 nov 2016
08h00
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Com certeza você já viu e ouviu casos de pessoas que precisaram de um ortodontista para arrumar uma mordida errada ou dentes desalinhados e bem tortos. Mas Carlos Henrique Souza, de 36 anos, precisou da ajuda desse profissional para resolver um problema um pouco menos comum: o seu canino superior esquerdo tinha nascido no céu da boca.

"Depois de muito conversar com meu ortodontista, decidimos que dava para reposicionar o dente do céu da boca para o lugar correto dele. Foi um tratamento longo, até um pouco dolorido, mas valeu a pena”, diz o empresário
"Depois de muito conversar com meu ortodontista, decidimos que dava para reposicionar o dente do céu da boca para o lugar correto dele. Foi um tratamento longo, até um pouco dolorido, mas valeu a pena”, diz o empresário
Foto: Jaromir Chalabala / Shutterstock

O empresário conta que no começo bateu um certo desespero, pois ele achou que algo muito errado estava acontecendo na sua boca. “A sensação de ter um dente o céu da boca é muito estranha, ele machucava minha língua e até a minha fala ficou um pouco alterada, mas no começo tive medo de procurar um profissional por achar que a coisa era anormal demais”, lembra Carlos.

Mas, segundo Alexandre da Veiga Jardim, ortodontista e autor do blog Ortodontia Descomplicada, esse problema é mais frequente do que se imagina. “O nome que se dá quando um dente nasce fora de sua posição normal é ectopia e as causas desse problema podem ser várias como, e principalmente, a falta de espaço na boca”, diz o especialista.

Falta de espaço
Quando não há espaço na boca, duas coisas podem acontecer: ou o dente não nasce, ou nasce em lugar errado. “Essa falta de espaço costuma ter duas causas frequentes que são: dentes com coroas excessivamente grandes para a arcada dentária e perda precoce de dentes de leite que resultam em falta de espaço futuramente”, diz Alexandre.

E, exatamente como aconteceu com Carlos, é bem comum que o problema aconteça com os caninos superiores. “Eles estão entre os últimos dentes a nascerem no arco superior e têm a coroa bem volumosa, além do mais, começam seu desenvolvimento numa posição mais distante do seu local de nascença, tendo uma rota de erupção maior e mais complexa”, diz o especialista.

Segundo Alexandre, tumores, cistos e até a genética também podem causar alterações nas rotas de erupção de dentes. “Além de tudo isso, pode ser que esse dente seja um supranumerário (um dente "extra") que se desenvolveu no céu da boca. Nesse caso indicamos a extração dele”, diz o dentista.

Reposicionamento
Mas não foi isso que aconteceu no caso de Carlos. “Depois de muito conversar com meu ortodontista, decidimos que dava para reposicionar o dente do céu da boca para o lugar correto dele. Foi um tratamento longo, até um pouco dolorido, mas valeu a pena”, diz o empresário.

Para entender como esse processo foi feito, Alexandre nos fez um breve resumo. “Quando a decisão é pela tentativa de "salvar" o dente, primeiramente o ortodontista deve conseguir espaço para posicioná-lo, para isso ele dispõe de várias opções como aparelhos ortodônticos fixos, removíveis, desgaste de dentes ou até a extração de um dente permanente. Após a abertura do espaço, o dente vai ser tracionado (puxado) para sua posição normal”, diz o especialista.

Caso a opção seja pela extração do dente com posição alterada, o ortodontista pode movimentar outros dentes para "substituir" o dente extraído.

Nunca mais!
A boa notícia é que uma vez resolvido o problema ele não irá se repetir, pois todos os dentes tem um período limite para nascer, passou disso, não nasce mais ninguém.

“Uma consulta com um ortodontista e uma radiografia por volta dos 6 anos de idade já é suficiente para detectar qualquer anormalidade que possa estar acontecendo no desenvolvimento da criança, como possíveis falta de espaço para dentes e alterações de posição, alterações de forma e, principalmente, o desenvolvimento de dentes supranumerários ou o não desenvolvimento de dentes normais (um problema chamado de agenesia)”, diz Alexandre.

Agência Beta

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