Halitose não tratada pode causar depressão

Impactos das consequências da halitose também podem causar transtorno de ansiedade social ou transtorno da personalidade

5 jul 2016
08h00
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Quem sofre, ou acha que sofre, de mau hálito pode acabar enfrentando uma série de problemas bucais como inflamações gengivais além de outras doenças mais sérias como a pneumonia. O que poucos sabem é que uma halitose não tratada pode causar isolamento social e até depressão.

É comum que a pessoa comece a interpretar erroneamente gestos normais dos outros, como passar a mão no nariz ou oferecer uma bala, como expressões de repugnância ao seu hálito
É comum que a pessoa comece a interpretar erroneamente gestos normais dos outros, como passar a mão no nariz ou oferecer uma bala, como expressões de repugnância ao seu hálito
Foto: Lisa S. / Shutterstock

Quando uma pessoa está com mau hálito não é difícil imaginar que tipos de problemas ela pode acabar desenvolvendo. “As bactérias responsáveis pela halitose podem causar doenças como a pneumonia, endocardite (problema no coração), inflamação gengival, perda óssea ao redor dos dentes, perda de dentes, desconforto e dor de garganta, entre outras causas”, diz Maurício Duarte da Conceição, cirurgião-dentista especialista em halitose, mestre em psicologia e autor do livro “Bom Hálito e Segurança! Metas Essenciais no Tratamento da Halitose”.

Efeitos psicológicos
Mas o que poucos veem ou sabem são os problemas sociais e psicológicos que podem surgir por traz de uma halitose não tratada. Quando a pessoa descobre que sofre com o problema, sentimentos como vergonha e mau estar começam a fazer parte do seu cotidiano, mesmo que seu hálito não seja sempre ruim ou forte.

“Quem sofre com esse problema costuma ter uma forte convicção que o cheiro ruim é facilmente percebido pelos demais. Por isso, a pessoa desenvolve uma série de mudanças de comportamento, pensamento e sentimento em seu dia a dia e começa evitar falar de perto, passa a falar menos, fazer a higiene bucal várias vezes ao dia, acreditar que a halitose a afasta de seus amigos ou ter um sentimento de baixa autoestima”, diz o especialista.

Próximo passo: depressão
Devido à essa convicção o isolamento social passa a ser uma constante. “A pessoa acaba deixando de ir a compromissos, para de estudar, namorar ou, em casos mais severos, até sair de casa”, diz Maurício.

A partir daí ela começa a achar que todos ao seu redor estão falando e agindo contra o seu hálito. “É comum que a pessoa interprete erroneamente gestos normais dos outros, como passar a mão no nariz ou oferecer uma bala, como expressões de repugnância ao seu hálito. Todos esses fatores afetam muito a qualidade de vida de quem tem essa queixa, o que acaba facilitando o aparecimento da depressão”, diz o especialista.

Intrigado com esses desdobramentos, Maurício desenvolveu um questionário para medir o verdadeiro impacto das consequências da halitose na vida das pessoas e o resultado foi ainda mais cruel.

“Em meu mestrado em psicologia, concluído em fevereiro de 2016, foi constatado que quem tem uma alta pontuação nesse questionário tem uma probabilidade bem maior em ter o transtorno de ansiedade social ou o transtorno da personalidade evitativo, psicopatologias nas quais os indivíduos têm dificuldades nos relacionamentos com os demais”, diz o psicólogo.

Por que chegar a esse ponto?
Sendo a halitose um problema bucal de tratamento relativamente fácil, pois na maioria dos casos uma boa higiene bucal associada a uma alimentação saudável e boa hidratação resolve o problema, a pergunta é: por que as pessoas deixam a situação chegar a esse ponto? Maurício responde.

“Ainda existe um grande tabu e preconceito com relação ao mau hálito. Não é raro uma pessoa relatar que teve o hálito alterado 20 anos atrás e desde então se fechou, sofrendo calada. Assim, sem ter dividido seu problema ou confrontado a realidade de seu hálito com ninguém, a situação só aumentou em sua cabeça, ainda que ela tenha tomado atitudes corretas que possam ter diminuído sua halitose ou até mesmo controlado o problema”, diz Maurício.

Dessa forma, ainda que tratar a halitose seja relativamente simples, tratar suas consequências pode ser desafiador, necessitando preparo e habilidade profissional.

“É essencial que o dentista se qualifique para poder atender adequadamente estes pacientes utilizando inclusive técnicas da psicologia para auxiliar no diagnóstico e tratamento desses casos. Assim, é possível tratar satisfatoriamente mais de 97% desses pacientes e, em casos mais severos, é necessário o encaminhamento para psicólogos ou psiquiatras, para tratamento conjunto”, diz o especialista.

Agência Beta

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