Maconha aumenta incidência de inflamação gengival

Problemas psicológicos, fumaça quente e excesso de gás carbônico provocado pela queima de substâncias são os culpados pelo problema

17 nov 2016
08h00
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Se a maconha faz mal para o seu cérebro nós não sabemos dizer, mas parece que para a sua boca, ela faz sim. Pelo menos é o que diz um estudo neozelandês que apresentou uma associação da erva com o aumento de problemas gengivais.

Diferente do que muitos achavam, a maconha não acusou grandes problemas para a saúde dos participantes, exceto em um campo: na saúde bucal
Diferente do que muitos achavam, a maconha não acusou grandes problemas para a saúde dos participantes, exceto em um campo: na saúde bucal
Foto: Pe3k / Shutterstock

O estudo, que contou com a participação de mais de mil voluntários, acompanhou essas pessoas desde o nascimento até a meia idade. Para completar a análise, entre os 18 e os 38 elas tiveram que responder a questionários sobre seus hábitos de saúde e o uso de álcool, maconha e cigarro.

Ao fim do período de testes, um resultado em especial chamou a atenção dos pesquisadores. Diferente do que muitos achavam, a maconha não acusou grandes problemas para a saúde dos participantes, exceto em um campo: na saúde bucal. Eles perceberam um aumento de casos de inflamação gengival grave (periodontite) nos adultos que alegaram ser habituas usuários da erva.

Problemas psiquiátricos
Para saber por que a pesquisa chegou a esse resultado, procuramos um especialista no assunto. Segundo Kaue Campos Pavanello, dentista e diretor clínico da Omne Odontologia Integrada, essa associação pode estar ligada a questões psicológicas.

“Existe uma vasta literatura que relaciona as doenças periodontais à pacientes que apresentam quadros de doenças psiquiátricas. Sabe-se também que a maconha causa alguns problemas no sistema nervoso como por exemplo, psicoses, demência, esquizofrenia e baixo Q.I., portanto podemos especular que alguns destes indivíduos estudados que usam maconha podem estar desenvolvendo ou já apresentar algum distúrbio psiquiátrico”, diz o especialista.

Fumaça quente
Mas não é só isso. A fumaça tragada também pode ter colaborado para esse resultado. “Pensando que normalmente as pessoas não utilizam filtro para consumir a erva podemos imaginar que a fumaça tragada acaba entrando na boca em altas temperaturas, o que também é prejudicial para a saúde da gengiva”, diz o especialista.

Além disso, o aumento na quantidade de gás carbônico na boca (por conta de queima de substâncias) afeta diretamente as bactérias que causam a doença gengival, uma vez que quase todas são anaeróbias, ou seja, utilizam o gás carbônico ao invés de oxigênio. “Já as bactérias que têm como função proteger a cavidade oral são aeróbias (preferem o oxigênio), portanto o aumento na quantidade de gás carbônico poderia selecionar bactérias patogênicas”, diz Kaue.

Doenças mais graves
Se esse estudo realmente estiver certo, podemos dizer que fumar maconha pode causar problemas no coração. Isso porque já existem trabalhos científicos que comprovam que a periodontite está relacionada com doenças cardíacas, entre outras.

“Existem estudos científicos que apontam uma maior incidência de doenças coronarianas em pacientes com periodontite, além do aumento de casos de partos prematuros. Em pacientes internados com inflamações gengivais severas observou-se que há um aumento no tempo de internação, principalmente naqueles com câncer, problemas cardíacos e transplantados”, diz o especialista.

Saúde bucal em dia
Se fumar maconha ou cigarro faz parte do seu dia-a-dia e não é um hábito do qual você pretende se desfazer, saiba que é preciso então que você seja mais criterioso com seus cuidados com a saúde bucal.

“Falando apenas da questão odontológica, faça visitas frequentes, em média de 4 em 4 meses, ao consultório para remover a placa bacteriana que fica aderida ao dente e que é a responsável pelo desenvolvimento da gengivite e da periodontite. Se houver a possibilidade, após o uso, faça um bochecho para eliminar as substâncias que estão dissolvidas no meio bucal”, diz Kaue.

Mas nunca se esqueça: a droga recreativa cobra o seu preço, sejam as lícitas ou as ilícitas, e nenhuma faz bem para a saúde, portanto o acompanhamento com os profissionais da área é extremamente importante.

Fonte: Agência Beta Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.

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