Os sisos podem entortar os dentes da frente?

Assunto divide especialistas. Uns acreditam que sim, outros alegam simples coincidência e reprovam extração como prevenção

10 ago 2016
08h00
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Vamos combinar, os dentes do siso não têm uma fama muito boa por aí. Conhecidos por nascerem por último, entre os 16 e 25 anos, eles podem vir onde não há espaço trazendo dor e correndo o risco de serem extraídos. Para piorar, há quem diga que quando eles chegam, são capazes de entortar os outros dentes da boca. Será que isso é verdade?

“Estudos feitos com pessoas que extraíram e não extraíram esses dentes mostram que certos apinhamentos ocorreriam do mesmo jeito”, diz Érick Santos Duarte, cirurgião-dentista bucomaxilofacial.
“Estudos feitos com pessoas que extraíram e não extraíram esses dentes mostram que certos apinhamentos ocorreriam do mesmo jeito”, diz Érick Santos Duarte, cirurgião-dentista bucomaxilofacial.
Foto: Robert Kneschke / Shutterstock

Acredite, responder essa pergunta é mais complicado do que você pensa. Isso porque há tempos os especialistas estão estudando essa questão e as opiniões os dividem. Muitos acreditam que sim, os dentes do siso têm esse poder.

“Como o dente do siso é o último da arcada e normalmente tem pouco espaço para nascer, a força da sua erupção pode fazer com que os dentes vizinhos fiquem desalinhados e isso pode atrapalhar o tratamento com aparelho ortodôntico”, diz Catarina Soares Fernandes, cirurgiã-dentista da equipe Oral-C.

Não é uma regra
Mas antes de mais nada é preciso entender que isso não é uma regra, tão pouco um consenso. Isso porque nem sempre o siso empurra os outros dentes e há ainda os casos nos quais eles nem chegam a nascer.

“Com a evolução da nossa espécie e as mudanças dos nossos hábitos alimentares, estamos precisando de menos dentes, por isso ao longo do tempo a arcada humana tem diminuído e o número de dentes reduzido”, diz a especialista.

Apenas coincidências
No entanto, outros profissionais da área acreditam que esses entortamentos são mais uma série de coincidências do que propriamente culpa do pobre do dente do siso. E há estudos brasileiros e americanos que fortalecem essa questão.

“Estudos feitos com pessoas que extraíram e não extraíram esses dentes mostram que certos apinhamentos ocorreriam do mesmo jeito”, diz Érick Santos Duarte, cirurgião-dentista bucomaxilofacial. Ou seja, os sisos não teriam tanto poder assim como muitos pensam.

Segundo o especialista, há ainda outro fator que pode contribuir para essa coincidência; o estreitamento natural da face que acontece com o passar dos anos e que se inicia bem na época em que os sisos começam a nascer, diminuindo o espaço para os dentes se acomodarem tranquilamente.

Mudança na alimentação
Há ainda quem acredite que a mudança na nossa alimentação nas últimas décadas tem contribuído bastante para esse entortamento natural dos dentes. Isso porque antigamente os dentes eram mais exigidos e assim, mas desgastados e menores.

Hoje, com uma série de alimentos industrializados e processados, os dentes são mais poupados ficando maiores e deixando quase nenhum espaço na boca. Mais um argumento que “inocenta” os sisos.

Extrair ou não extrair?
A resposta para essa questão é tão complexa quanto todo o tema. A situação, seja ela qual for, precisa ser muito bem analisada pelo especialista. Há casos ortodônticos, por exemplo, em que é preciso mais espaço na boca para “puxar” os dentes para traz, tornando a extração precoce do siso uma opção.

“O que se sabe é que há muita extração desnecessária do dente do siso apenas como forma de prevenção de apinhamentos. E como vimos, nem sempre são eles os culpados por isso. O ideal é um acompanhamento do quadro antes, durante e depois da sua erupção e só extraí-lo se, de fato, houver complicações como desalinhamento dental (onde são realmente eles os culpados), pericoronarite (infecção na gengiva), cáries e aparecimento de cistos”, diz o especialista.

Fonte: Agência Beta Este conteúdo é de propriedade intelectual do Terra e fica proibido o uso sem prévia autorização. Todos os direitos reservados.

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