Por que os índios praticamente não tinham cárie?

Dieta a base de alimentos crus, sem açúcar e muita água são o segredo da saúde bucal desse povo

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Hoje é dia da Independência do Brasil, data que marca o fim do domínio português sobre nós e início da autonomia política do país. Mas antes de todo esse rebuliço europeu por aqui, outra cultura predominava: a indígena. Por não terem nenhum contato com a civilização, esse povo vivia relativamente livre de certas doenças “da realeza” como gripe, tuberculose e até a cárie. E o segredo desse elixir da saúde é mais simples do que se imagina.

A alimentação indígena sempre teve como base verduras e legumes crus, assim os índios eram obrigados a mastigar muito bem os alimentos para poder ter uma boa digestão
A alimentação indígena sempre teve como base verduras e legumes crus, assim os índios eram obrigados a mastigar muito bem os alimentos para poder ter uma boa digestão
Foto: Filipe Frazão / Shutterstock

Não, o segredo não está na genética de nossos ancestrais e nem nos remédios naturais milagrosos que os índios eram capazes de fazer (embora não podemos tirar totalmente os méritos disso). A verdade é que, segundo Yonaá Lourdes Cardoso, professora da história da Odontologia, o segredo está no estilo de vida e na dieta que eles tinham.

“A alimentação indígena sempre teve como base verduras e legumes crus, assim os índios eram obrigados a mastigar muito bem os alimentos para poder ter uma boa digestão. Além disso, eles sempre ingeriram muita água”, diz a especialista.

Combinação perfeita
Essa combinação, mesmo que sem querer, sempre foi uma aliada da saúde bucal dos indíos. Primeiro, porque os alimentos fibrosos ajudam a manter os dentes limpos por causa do atrito que eles causam diretamente no esmalte dental, removendo naturalmente parte da placa bacteriana que costuma se acumular perto da gengiva.

“Esses alimentos naturais, tirados diretamente da terra, estão livres de açúcar industrializado, gordura e outros aditivos artificiais que colaboram para a degradação dental”, diz Yonaá.

E segundo, porque o alto consumo de água contribui para manter a quantidade e a qualidade da saliva em dia e como esse fluído é o detergente natural da boca, a água acaba se tornando uma arma forte contra a cárie. Como já sabemos, a saliva neutraliza o conteúdo do esôfago, dilui o suco gástrico, controla a acidez da boca, ajuda a formar o bolo alimentar e, devido ao seu conteúdo de amilase, quebra o amido.

“Mesmo sem ter nenhuma preocupação direta com a saúde bucal, os índios mantinham hábitos que colaboravam para um ambiente bucal sadio. Se alimentando e se hidratando como faziam, eles mantinham a boca saudável e a incidência de cárie bem reduzida”, diz a professora.

Nem tudo é exemplo
No entanto, nem todas as tribos seguiam essa dieta tão amiga da saúde bucal. Algumas tinham como alimento base a mandioca, item rico em carboidrato.

“Não eram todas as tribos que estavam isentas da cárie ou de outras doenças (bucais ou não) relacionadas com uma dieta calórica. Algumas se alimentavam basicamente de mingaus de mandioca ou de milho, beiju (espécie de bolo feito com massa de farinha de mandioca fina), tapioca, pirão e mel. Nessas tribos, a cárie já era um problema concreto e há relatos que alguns índios teriam chegado a morrer devido a complicações bucais”, diz Yonaá.

Dieta indígena
Para a professora, embora a oferta atual de produtos industrializados seja bastante grande, é possível basear a nossa dieta nos costumes indígenas. “Opte por produtos naturais, fibrosos, menos ácidos e com pouco açúcar. No mais, hoje em dia temos a vantagem de contar com produtos para uma boa higienização bucal como água fluoretada, escova e pasta de dente e fio dental, itens que os índios não tinham naquela época, ou seja, hoje está ainda mais fácil evitar a cárie e outros problemas bucais”, brinca Yonaá.

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Agência Beta

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