Respirar pela boca durante o sono aumenta risco de cárie

Prática colabora para o ressecamento da mucosa bucal deixando-a extremamente ácida

14 nov 2016
08h00
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Todo mundo já sabe que respirar pela boca não é bom. E se você é um respirador bucal já deve ter percebido que quando você acorda sua boca costuma estar mais seca do que o normal. Com base nesse quadro, um estudo feito pela Universidade de Otago, na Nova Zelândia, revelou que dormir de boca aberta pode aumentar as suas chances de desenvolver erosão dental e cárie.

Respirar pela boca permite que a mucosa resseque e o fluxo salivar, que já tem sua produção reduzida a noite, diminua ainda mais, deixando a boca “nas mãos” das bactérias
Respirar pela boca permite que a mucosa resseque e o fluxo salivar, que já tem sua produção reduzida a noite, diminua ainda mais, deixando a boca “nas mãos” das bactérias
Foto: Werner Heiber / Shutterstock

Para chegar a esse resultado, 10 voluntários se prontificaram a dormir com uma pinça no nariz, forçando-os a virar um respirador bucal por uma noite.

No dia seguinte foram feitas análises das condições bucais de todos os envolvidos no teste e os cientistas perceberam que a maioria daqueles que dormiram com a boca aberta acordaram com uma acidez bucal de 6,6, enquanto quem dormiu normalmente respirando pelo nariz apresentava um ph neutro de 7.

Para piorar, em alguns casos específicos, o ph medido foi de 3,6, índice muito abaixo do limite de 5,5, que é quando o esmalte começa a desmineralizar por causa da excessiva acidez do ambiente.

Isso tudo acontece porque ao respirar pela boca a mucosa resseca e o fluxo salivar, que já tem sua produção reduzida a noite, diminui ainda mais, deixando a boca “nas mãos” das bactérias que ao metabolizarem restos de alimentos liberam ácidos na boca. Assim, não só a cárie, mas também a erosão dental, a gengivite e o mau hálito acabam se tornando problemas corriqueiros nesse tipo de ambiente.

Função tampão
“Uma das principais funções da saliva é a de tampão, capaz de neutralizar o ph bucal, especialmente junto à superfície dos dentes, protegendo-os dos desafios ácidos provocados pelas bactérias cariogênicas. Por isso que quando este ph fica alterado em respiradores bucais noturnos, eles ficam mais propensos à cárie dental”, diz João Paulo Pinto, cirurgião-dentista especializado em periodontite.

Melhorias
Se você já se percebeu um respirador bucal e ficou preocupado com o resultado dessa pesquisa, saiba que existem algumas práticas que podem ser feitas para tentar minimizar os danos à sua saúde bucal.

“Levantar a cabeceira da cama, dormir de lado e higienizar as narinas com soro fisiológico podem ajudar, assim como utilizar adesivos que ampliam a passagem de ar pelas narinas”, diz o especialista. Porém, segundo João, muitas vezes faz-se necessária uma avaliação e um tratamento profissional para resolver o problema.

“Otorrinos podem tratar condições como rinite alérgica, desvios de septo, hipertrofia de amígdalas e adenoides. Fonoaudiólogos podem estabelecer práticas de reequilíbrio miofuncional e dentistas podem realizar tratamentos ortodônticos e/ou cirurgias ortognáticas, além de estabelecer medidas preventivas e de estimulação salivar até que a respiração nasal seja estabelecida”, diz o especialista.

Outros problemas
Além dos problemas citados na pesquisa, respirar pela boca desde cedo pode trazer outro problemas para sua saúde.

“A respiração bucal, durante a infância e adolescência altera o crescimento e o desenvolvimento normal da face e a oclusão dos dentes em função do desequilíbrio que ela provoca nas relações entre os tecidos muscular, ósseo e dental”, diz João.

Algumas alterações estéticas e funcionais também podem ser observadas nos respiradores bucais, inclusive quadros de disfunção da ATM extremamente danosos para a qualidade de vida das pessoas.

Agência Beta

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