É possível desenvolver alergia do aparelho ortodôntico?

Alergia ao níquel, material bastante usado na fabricação desses dispositivos, pode causar coceiras, úlceras e gosto metálico na boca

22 ago 2016
08h00
atualizado em 24/8/2016 às 10h37
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Quando vamos colocar aparelho ortodôntico temos que nos preocupar com várias coisas como higienização, alimentação e estética. Mas em alguns casos, outra preocupação pode tomar conta do dentista e do paciente: uma possível alergia ao dispositivo. Isso mesmo, embora mais raro, existem pessoas que apresentam reações alérgicas ao material que é feito o aparelho.

Se for sabido que a alergia ao níquel já existe, não há nenhum problema, pois existem no mercado outros materiais para a fabricação de aparelhos
Se for sabido que a alergia ao níquel já existe, não há nenhum problema, pois existem no mercado outros materiais para a fabricação de aparelhos
Foto: Draw05 / Shutterstock

Um dos materiais mais utilizados na fabricação das peças e fios ortodônticos é o níquel, um metal bem conhecido pelas pessoas, pois também está presente em joias, chaves e moedas.

“Alguns aparelhos possuem até 50% de níquel em sua composição e ele acaba sendo liberado pelo contato da saliva com o dispositivo. Aí, algumas pessoas podem acabar desenvolvendo a alergia ou descobrir que já a tinham. Por causa da proximidade destes materiais com a mucosa da boca podem surgir sintomas na região”, diz Alexandre da Veiga Jardim, ortodontista e autor do blog Ortodontia Descomplicada.

Sintomas desagradáveis
Nesses pacientes, a alergia se manifesta como uma dermatite de contato, tipo uma irritação na pele.

“Os sintomas mais comuns são coriza, avermelhamento e inchaço da face e dos lábios, erupções na pele e mucosa da boca, úlceras, alterações gengivais, escamação de lábios e gosto metálico na boca”, diz o especialista.

Caso isso aconteça, um especialista em alergia deverá ser consultado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o primeiro passo é a realização de um teste de contato, método para confirmar a hipersensibilidade do paciente ao material. Ainda segundo a SBD, o tratamento pode envolver desde a aplicação de compressas úmidas, secativas ou antissépticas até o uso de antialérgicos e corticoides em casos mais severos, o importante é que o paciente jamais se automedique.

Remover o aparelho
Para evitar esse tipo de transtorno é recomendável fazer esse teste alérgico antes de colocar o aparelho. Isso porque, uma vez instalada a alergia, pode ser que o dispositivo tenha que ser retirado.

“Tudo vai depender da severidade da reação alérgica. Se for necessária a remoção haverá consequentemente um atraso no tratamento”, diz Alexandre. Por isso que, se o paciente já teve reações alérgicas ao níquel é importante que ele comunique o ortodontista na primeira consulta.

Outros materiais
Se for sabido que a alergia ao níquel já existe, não há nenhum problema, pois existem no mercado outros materiais para a fabricação de aparelhos. “Bráquetes de policarbonato, cerâmica e titânio podem ser utilizados. Fios que não contém níquel estão à disposição do ortodontista também”, diz o especialista.

Outra opção interessante é o uso de alinhadores ortodônticos, uma técnica que usa diversos alinhadores plásticos ao invés do aparelho ortodôntico. “O importante a ser destacado é que o paciente que tem alergia ao níquel não tem motivos para ficar sem tratamento ortodôntico”, Alexandre.

Mulheres, as principais vítimas
Pesquisadores indianos descobriram, em 2012, que as maiores vítimas dessa alergia são as mulheres. Estudos estimam que cerca de 20% das mulheres com idade entre 16 e 35 anos estão no grupo de risco dessa alergia, quatro vezes mais do que os homens na mesma idade.

“Um dos motivos é que elas já têm uma maior exposição ao níquel por meio de acessórios como anéis e brincos. Isso pode desencadear uma maior sensibilidade ao metal”, diz o especialista.

Agência Beta

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