Exames para detectar câncer bucal podem ser feitos de graça

Faculdade São Leopoldo Mandic analisa laudos de biópsias e ainda atende pessoas todas as quartas-feiras gratuitamente

9 nov 2016
08h00
atualizado às 10h40
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Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), há uma estimativa de que este ano 15 mil novos casos de câncer bucal sejam diagnosticados no Brasil. Preocupados há tempos com esses dados, pesquisadores da Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas (SP), realizam um trabalho gratuito junto à população com objetivo de contribuir para a diminuição desses casos.

O tratamento envolve ressecção cirúrgica, radioterapia e por vezes quimioterapia e precisa contar com uma equipe médica composta por dentistas, médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros
O tratamento envolve ressecção cirúrgica, radioterapia e por vezes quimioterapia e precisa contar com uma equipe médica composta por dentistas, médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros
Foto: HconQ / Shutterstock

O projeto, que existe desde 2001 e já atendeu mais de 17 mil pessoas, recebe diariamente, materiais de biópsia referentes a lesões de cavidade bucal vindos de todas as regiões brasileiras. Segundo a assessoria da faculdade, desses laudos emitidos, 6,5% (cerca de 1.104) já foram diagnósticos como câncer.

Melhorar índices
Esses materiais que chegam até eles são analisados no laboratório de patologia do Instituto e Centro de Pesquisas da faculdade e um laudo é emitido para auxiliar o clínico na conduta e tratamento do paciente. Esse laudo costuma ser emitido de 7 a 15 dias úteis.

As estatísticas, apesar de preocupantes, não são uma novidade, uma vez que essa doença é um problema de saúde pública no mundo, com taxa anual estimada em aproximadamente 10 casos a cada 100 mil pessoas, sendo a grande maioria em países subdesenvolvidos.

“Atualmente, o Brasil é o terceiro país em incidência da doença, nossa expectativa é que em pouco tempo possamos melhorar esses índices”, explica Ney Soares de Araújo, diretor do curso de Graduação em Odontologia da Faculdade São Leopoldo Mandic. .

Atendimento ao público
Além da analise gratuita desses materiais no seu laboratório, a faculdade também tem todas às quartas-feiras uma clínica específica para o diagnóstico de doenças da boca que atende a população.

“Este serviço é oferecido a toda a comunidade de Campinas e região, sem custos. Para ser atendido, o profissional deve encaminhar o paciente para a faculdade pelo telefone (19) 3211-3600, no qual será feito um agendamento da consulta. Caso necessário, serão realizados exames complementares como os de imagem e o anátomo-patológico”, diz Victor Montalli, professor de Estomatologia e Patologista Bucal do Departamento de Patologia da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Equipe multidisciplinar
Caso o diagnóstico seja positivo depois de feito os exames, o paciente é encaminhado ao médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço ou ao Otorrinolaringologista.

“O cirurgião-dentista, por ser o guardião da cavidade bucal, tem a premissa de fazer o diagnóstico precoce dessas lesões, mas como o tratamento envolve ressecção cirúrgica, radioterapia e por vezes quimioterapia, é melhor que ele conte com uma equipe médica multidisciplinar composta por dentistas, médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros”, diz Victor.

Saiba identificar o inimigo
O câncer bucal pode ocorrer em qualquer região da boca e pode ser percebido a partir de uma ferida que não cicatriza a mais de 15 dias. “Caso o paciente fume ou consuma álcool com frequência, as chances de desenvolver a doença aumentam”, diz o especialista.

Essa doença, como qualquer lesão maligna, tem um componente genético fundamental, mas fatores ambientais podem agravar o risco de desenvolvimento de câncer de boca.

“Não podemos deixar de citar o HPV, principalmente o subtipo 16, que também está altamente associado à transformação maligna das células que revestem a mucosa bucal. Além disso, a exposição crônica aos raios ultravioleta pode desenvolver uma lesão no lábio inferior chamada de Queilite Actínica, e esta, se não tratada, pode se tornar maligna”, diz Victor.

Agência Beta

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