Tratamento ortodôntico: quando começar o do seu filho?

A maioria deve começar na fase infantil, mas há aqueles que não dão certos quando a criança é pequena demais ou só vão funcionar em adultos

6 jul 2016
08h00
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Seu filho está crescendo e de repente você percebe que o sorriso dele está um pouco desalinhado. E agora, qual é a melhor época para levá-lo ao ortodontista e começar um tratamento? Ou será que você já devia ter feito isso como forma de prevenção? Para responder a essas perguntas, chamamos um especialista para conversar com a gente.

Um tratamento bem indicado na infância pode diminuir ou eliminar o tratamento ortodôntico na fase adulta
Um tratamento bem indicado na infância pode diminuir ou eliminar o tratamento ortodôntico na fase adulta
Foto: Andresr / Shutterstock

Na verdade, não existe uma idade certa para começar esse tipo de tratamento, até porque cada caso é um caso, mas a prevenção pode e deve ser feita.

“Aos 2 anos de idade já é possível detectar alguns problemas como mordidas cruzadas, abertas ou profundas. Além disso, já dá para perceber se há hábitos de sucção ou se há dentes supranumerários ou perda dental precoce (dos de leite). Os pais ou responsáveis devem ficar atentos a estes sinais sem deixar de levar a criança para avaliação de um ortodontista nos primeiros anos de vida”, diz Renato Mussa, ortodontista da Well Clinic.

Para o especialista, a prevenção de problemas ortodônticos é a melhor opção sempre, por isso a necessidade de se procurar um especialista logo cedo, assim maus hábitos como chupar o dedo e chupeta podem ser interrompidos antes de causar grandes danos a saúde oral da criança.

Problema instalado
Mas quando o problema já está instalado, cada caso precisa ser analisado separadamente. Muitos problemas, por exemplo, devem ser tratados em duas fases diferentes.

“A primeira fase, que chamamos de interceptativa, é quando há problemas de crescimento ósseo causando um desequilíbrio entre a maxila e a mandíbula. Esse tipo de situação pode ser tratada com aparelhos específicos que direcionam este crescimento”, diz Renato.

A segunda fase é chamada de corretora e é responsável por posicionar os dentes no lugar certo com o uso de aparelhos fixos, móveis e/ou alinhadores. “Nessa etapa, as correções ósseas já estão bastante limitadas por conta do fim do crescimento ósseo da criança”, diz o especialista.

Nos casos citados acima o primeiro tratamento pode ser iniciado na criança a partir dos sete anos e a segunda fase deve começar quando ela for mais velha e já estiver com desenvolvimento facial completo.

Infância x fase adulta
Um tratamento bem indicado na infância pode diminuir ou eliminar o tratamento ortodôntico na fase adulta, pois o profissional irá usar o crescimento e a falta de maturação óssea a seu favor.

“Na fase adulta podemos apenas movimentar os dentes e por conta disso ficamos limitados. Se houver alguma discrepância óssea nessa fase o tratamento fatalmente exigira uma cirurgia ortognática que é um procedimento mais complexo e mais caro para o paciente”, diz Renato.

Pequenas demais, pode?
Há quem diga que iniciar um tratamento ortodôntico em crianças muito pequenas (menos de nove anos) pode acabar causando outros problemas. Renato não concorda totalmente.

“Se bem indicados, não existe problema. Mas as vezes, por excesso de preocupação dos pais ou do próprio profissional, uma tentativa de se instalar um aparelho em uma criança que não possui maturidade suficiente para usá-lo pode desanimá-la para futuras intervenções. Por isso é sempre bom ouvir diferentes opiniões, inclusive de outras áreas como da otorrinolaringologia e da fonoaudiologia para saber a hora certa de intervir”, diz Renato.

Tratamentos na fase adulta
Apesar da maioria dos tratamentos serem indicados para a fase infantil, nem todos devem começar nessa época. "Em alguns casos a discrepância óssea é tão grande que devemos esperar a fase adulta para fazer a cirurgia ortognática. Hoje, com o aumento do número de cirurgiões bucomaxilofaciais capacitados, esse tipo de procedimento ficou mais acessível e pode trazer excelentes resultados e uma ótima qualidade de vida para os pacientes adultos”, diz o especialista.

Fonte: Agência Beta

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